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Draghi reitera que inflação baixa poderá levar BCE a accionar programa de compra de activos

Falando em Amesterdão, o presidente do BCE repetiu que o conselho de governadores da instituição "está comprometido, de forma unânime, a usar medidas convencionais e não-convencionais para lidar de forma efectiva com os riscos de um período demasiado longo de baixa inflação”.

Negócios 24 de Abril de 2014 às 12:09
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O presidente do Banco Central Europeu (BCE) reiterou, esta quinta-feira, que se as projecções para a evolução da inflação na Zona Euro a médio prazo se deteriorarem, a instituição está disposta a usar mais medidas não-convencionais – uma referência que remete para compras de activos públicos e privados. “Com o objectivo de cumprir este mandato [de garantir a estabilidade dos preços], o conselho de governadores [do BCE] está comprometido, de forma unânime, a usar medidas convencionais e não-convencionais para lidar de forma efectiva com os riscos de um período demasiado longo de baixa inflação”, afirmou Mário Draghi, num discurso em Amesterdão, citado pela Bloomberg.

 

A taxa de inflação média dos países da Zona Euro desacelerou inesperadamente em Março para 0,5%. Draghi tem no entanto alegado que este número, embora estando muito distante do seu conceito de estabilidade de preços (taxa anual de inflação inferior mas próxima de 2%), deverá ser passageiro, frisando que as expectativas de inflação de médio prazo permanecem "firmemente ancoradas" em torno dos 2%. Ou seja, no entender do BCE, as famílias e as empresas acreditam que os preços vão aumentar no médio prazo, pelo que não vão adiar decisões de compra e investimento, com efeitos recessivos na economia, só porque têm a expectativa de que os preços baixarão.

 

Os economistas acreditam numa reaceleração para 0,8% em Abril, o que "fará com que se reduza a pressão sobre o BCE para que este aja no imediato", escreve o Commerzbank. Os economistas acreditam, contudo, que se o crescimento não acelerar em breve e não houver um aumento mais pronunciado dos preços, o BCE terá de fazer mais do que apenas novos cortes da taxa de juro de referência, já muito próximos do zero - actualmente em 0,25%. E nem é necessária deflação: um período demasiado longo de inflação já é, em si, um risco para a economia. "Se a inflação permanecer abaixo de 2% e se o BCE não agir, será posta em causa a credibilidade do BCE e do seu objectivo de preços", disse recentmente o Berenberg.

 

Mário Draghi tem vindo a resistir a um programa de expansão monetária semelhante ao exercido por outros bancos centrais.

Mas a expectativa de que o BCE acabará mesmo por fazer o "impensável" tem aumentado. O alemão Jens Weidmann, governador do Bundesbank, indicou que um programa de expansão monetária "não está fora de questão". Trata-se do único governador que foi contra o OMT, o plano de compra de dívida pública anunciado em Agosto de 2012 pelo BCE e que resultou da promessa de "fazer tudo, dentro do mandato, para preservar o euro".

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