Política Monetária Draghi: “São necessárias reformas em todos os países da Zona Euro”

Draghi: “São necessárias reformas em todos os países da Zona Euro”

Sem apresentar novidades no conjunto de ferramentas do banco central, Mario Draghi manteve também o discurso. Defendeu a necessidade de serem implementadas reformas estruturais e alertou que estas têm de acontecer em todos os países.
Draghi: “São necessárias reformas em todos os países da Zona Euro”
Reuters
André Tanque Jesus 02 de junho de 2016 às 14:47

Mario Draghi apareceu esta quinta-feira, 2 de Junho, para reiterar o que há muito vem defendendo: são necessárias reformas estruturais. Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho do BCE, o presidente sublinhou que, no entanto, estas têm de existir em todos os países da Zona Euro, atirando para estes a decisão sobre o que é necessário em cada um. Ainda assim, salientou que a instituição continua disposta a fazer tudo o que for necessário para impulsionar a inflação.

"Políticas estruturais são essenciais [na Zona Euro], devido ao contínuo elevado desemprego estrutural", disse Mario Draghi, perante os jornalistas. O presidente do BCE considera que estas são necessárias para "retirar o total benefício das medidas" de política monetária. Mas deixou um recado aos países mais riscos da união monetária: "as reformas estruturais são necessárias em todos os países da Zona Euro" e estes é que "têm o melhor conhecimento para saber quais as reformas estruturais que devem implementar".

Mas o responsável pela política monetária na região fez questão de salientar a importância das medidas tomadas até agora. "Acreditamos que as nossas medidas fazem muito a diferença e têm feito muito a diferença", disse Mario Draghi em resposta a um jornalista, sublinhando que "o pacote [de medidas anunciado] em Março foi essencial para evitar uma deterioração mais severa" da economia da Zona Euro.

Rejeitou traçar cenários para a taxa de juro de referência – actualmente em 0% -, até porque "não é um objectivo da política" monetária. Mas atirou que esta é "um sintoma de uma economia fraca. Uma economia em que há um excesso de poupanças face ao investimento". Por isso, considerou, as taxas de juro baixas, ou até negativas, "são a política monetária adequada de modo a recuperar crescimento".

Já em relação ao programa de compra de activos, Mario Draghi apontou que este "tem progredido sem problemas". "Não vemos quaisquer dificuldades. Registamos uma ampla liquidez", acrescentou o responsável, salientado que, caso venha a ser necessário, "a estrutura do programa é flexível o suficiente para que o possamos alterar de modo a atingir os nossos objectivos".

"É bastante claro, no entanto, que não hesitaremos em actuar" se necessário, atirou o presidente do BCE. E Mario Draghi voltou mesmo a destacar que a instituição monetária continua disposta a "utilizar todos os instrumentos que são necessários para alcançar" o mandato de inflação perto mas abaixo de 2%. Quando questionado sobre o processo de decisão que tem sido assumido, fez questão de garantir que "tem por base a sabedoria de todos os bancos centrais nacionais e o BCE. Não é apenas um cérebro em Frankfurt".

Depósitos estáveis apenas de juros baixos

O ambiente de baixas taxas de juro tem merecido duros ataques de eixos políticos em vários países da Zona Euro. Na Alemanha, por exemplo, a preocupação recai na falta de rendibilidade que tem sido registada nas poupanças. Por isso, um jornalista questionou Mario Draghi se este temia um movimento generalizado de levantamento dos depósitos. "Não temos qualquer sinal de saída de depósitos do sistema bancário", respondeu o presidente do BCE. E acrescentou: "temos até sinais contrários" em países com taxas de juro ainda mais negativas.

Um ponto sensível da conferência de imprensa de Mario Draghi foi ainda o objectivo para a inflação. "Algumas pessoas dizem que devemos rever em baixa e aceitar que nunca alcançaremos o objectivo de 2%, outras dizem que devemos rever em alta", admitiu o responsável pela política monetária da Zona Euro. No entanto, sublinhou, "a posição do BCE é contrária a rever o objectivo para a inflação, qualquer que seja o sentido".

"Qualquer revisão, em qualquer dos sentidos, prejudicaria a credibilidade do banco central", atirou Mario Draghi. A perspectiva é que, a acontecer, essa revisão "aumentaria, só por si, o prémio de risco e, assim, as taxas de juro reais, contrariando o nosso objectivo". Por isso, concluiu o presidente do BCE, "as razões para manter este objectivo são esmagadoras".

Do Reino Unido à Grécia

 

Quando enumerou os riscos de curto prazo que ainda pendem sobre a Zona Euro, Mario Draghi incluiu o referendo britânico à saída da União Europeia. Um tópico que desenvolveu, explicando que "o Reino Unido e a Zona Euro são mutuamente benéficos". Por isso, sublinhou o responsável, "o BCE tem a perspectiva de que o Reino Unido deve continuar na União Europeia".

Mas também a Grécia fez parte da conferência de imprensa. "Tivemos uma apresentação [sobre a possibilidade de as obrigações gregas poderem voltar a ser utilizadas como colateral pelos bancos], mas não tomámos qualquer decisão", explicou Mario Draghi. A acontecer, disse o presidente do BCE, essa decisão terá de surgir "noutra reunião de política monetária", mas "queremos esperar para ver o que o comité do MEE [Mecanismos de Estabilidade Europeu] decide".


(Notícia actualizada às 15:26, com mais informação)




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