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Silva Lopes: “Durante os próximos 20 anos vamos ter austeridade. Os tempos da bagunça não voltam”

Silva Lopes antecipa que as taxas de juro exigidas pelos mercados ao Estado português não vão baixar para níveis sustentáveis, pelo que o país terá de pedir um segundo empréstimo à Europa com condições de austeridade mais duras. Prevê que a troika possa flexibilizar as metas do défice, mas só no final do ano, depois de apresentado o novo Orçamento.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 01 de Agosto de 2013 às 17:36
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José Silva Lopes não acredita que o país consiga passar a “governar-se nos mercados” a partir do fim do programa de assistência da troika em meados de 2014, pelo que terá de negociar um segundo resgate internacional. Mostrando-se certo de que a “Europa não vai deixar de nos socorrer” – mais incerta, diz, será uma nova participação do FMI – o antigo ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal antecipa que um segundo empréstimo externo deverá ser acompanhado de “condições de austeridade piores do que as actuais”.

 

Em entrevista ontem à SIC-Notícias, diz que Portugal não tem alternativa a políticas de austeridade, mas que desejavelmente estas deveriam ser menos intensas. “Durante os próximos 20-30 anos vamos ter austeridade. Os tempos da bagunça não voltam. Daqui em diante, o Estado tem de ter muito mais controlo sobre a despesa”. Mas se “não podemos recuar na austeridade, o ideal era podermos avançar a 40 km/h e não a 100 à hora”, ilustra.

 

Fixar essa velocidade, diz, “depende muito pouco de nós”, mas sobretudo da Europa e da Alemanha, que em sua opinião deveria adoptar uma política mais expansionista para estimular o sector exportador, designadamente português. A união monetária deverá, por seu turno, caminhar para um “modelo de federalismo orçamental que implicará mais controlo sobre as contas públicas dos Estados-membros”. Sem esse aprofundamento, o euro não será viável, considera.

 

Sobre a capacidade de a coligação governamental conseguir manter-se até ao fim da legislatura em 2015, Silva Lopes diz que o “duro” Orçamento do Estado para 2014 será, neste Outono, o grande teste. “O CDS tem tido uma posição muito reticente em relação à austeridade e agora tem a austeridade nos braços. Provavelmente vai fazer um esforço para que ela seja menor, mas duvido que tenha grandes resultados”.

 

Quanto à possibilidade de a troika aceitar metas menos exigentes para o défice – actualmente fixadas em 5,5% para este ano e em 4% do PIB para 2014, após a segunda flexibilização acordada nesta 7ª e última avaliação – Silva Lopes não acredita que os credores possam dar sinais de abertura quando regressarem a Portugal em Setembro. Acredita, porém, que esse sinal possa ser dado mais perto do fim do ano, possivelmente em Dezembro, já depois da aprovação do OE para 2014.

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