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Durão Barroso acusa Cameron de estar a cometer "erro histórico"

O ainda presidente da Comissão Europeia sustenta que o primeiro-ministro britânico está a cometer um "erro histórico" ao prosseguir uma política de imigração que representa um afastamento face aos seus tradicionais aliados europeus, designadamente os países do centro e leste europeus.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 20 de Outubro de 2014 às 12:27
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O ainda presidente da Comissão Europeia (CE) Durão Barroso fez esta manhã, em Londres, uma das mais duras críticas, em dez anos de mandato europeu, a um líder de um Estado-membro da União Europeia. O alvo foi o actual primeiro- ministro britânico, David Cameron, e a política de imigração que Londres planeia implementar.

 

Na Chatham House, uma ONG dedicada a assuntos relacionados com questões de política internacional, o português alertou para o "erro histórico" que Cameron se prepara para cometer ao adoptar políticas de imigração assentes em "limites arbitrários", o que irá penalizar os países da Europa Central e de Leste, que deveriam ser encarados como aliados naturais, defende Barroso.

 

O presidente da Comissão, num discurso em jeito de celebração dos dez anos à frente da CE, sublinhou que as medidas restritivas relativamente à atribuição de números da segurança social aos imigrantes com menor grau de qualificação irá penalizar, essencialmente, os 11 países do leste europeu que aderiram mais recentemente, em 2004, à União Europeia.

 

No entender de Durão Barroso, os "limites arbitrários" que Londres se prepara para institucionalizar são contrários às leis europeias, o que acabará por afastar ainda mais o Reino Unido dos seus aliados europeus. Nesse sentido, garante que a permanência do Reino Unido na União Europeia (EU) não é compatível com as intenções de Cameron.

 

"Qual seria então o critério? A riqueza de cada país? Vamos criar uma UE com cidadãos de primeira e de segunda classe?", começou por questionar Barroso que se prontificou a dar a resposta.

"Não, não. Teremos de ver as propostas [de David Cameron]. Não posso ainda dizer-vos qual a resposta exacta [a estas questões], mas parece-me que se trata de um limite arbitrário que não poderá ser aceite", alertou o português citado pelo Guardian.

 

Ainda citado pelo jornal britânico, que classifica Durão como o presidente da CE mais anglófilo da história europeia, o português lembrou a Cameron o caso escocês. "Vimos na Escócia que precisamos de ver as coisas pelo lado positivo. Dessa forma, se se apoia a permanência na UE é necessário dizer aquilo que a Europa representa e o interesse dos britânicos em fazer parte dela".

 

Numa tirada ainda mais objectiva, Barroso sinalizou o orgulho britânico e lembrou que "nem a nação mais orgulhosa do mundo pode moldar a globalização à sua maneira".

 

Cameron responde e garante que "o Reino Unido precisa renegociar a sua relação com a UE"

 

A resposta do primeiro-ministro britânico não tardou e chegou num tom carregado. Numa visita à unidade de produção da Ford em Dagenham, Cameron disse que aquilo que o Reino Unido necessita é de "renegociar a sua relação com a UE e, depois, realizar um referendo no qual os britânicos possam decidir se permanecemos nesta organização reformada (UE) ou se a abandonamos".

 

"Estou certo sobre quem é o meu patrão, a quem eu tenho de responder e esse é o povo britânico. Eles querem esta situação resolvida, não estão a ser pouco razoáveis em relação a esta questão, e eu irei resolve-la", assegurou Cameron em resposta à declaração de Barroso.

 

Assim, o líder dos conservadores britânicos mantém de pé a iniciativa que passa pela realização, em 2017, de um referendo popular no qual o povo britânico será chamado a decidir sobre a continuação, ou a saída, do Reino Unido da UE. O povo britânico apresenta, desde a sua adesão ao projecto europeu, uma das taxas mais elevadas de desconfiança e desagrado relativamente a Bruxelas. Sendo a discordância face ao Espaço Schengen e às políticas de imigração europeias um dos pontos sensíveis no relacionamento entre Londres e Bruxelas.

 

(Notícia actualizada às 16h05m com resposta de David Cameron)

 

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