Economia Cravinho: “É um apelo ao bom senso” do primeiro-ministro

Cravinho: “É um apelo ao bom senso” do primeiro-ministro

“Seria uma loucura continuar a avançar em relação ao precipício, como se não houvesse nada a fazer”, diz o antigo ministro do PS. Aconteça o que acontecer, a Europa não será a mesma, acrescenta Ricardo Paes Mamede, sobre a carta que foi enviada ao primeiro-ministro por 32 personalidades para que Passos Coelho mude a posição sobre a Grécia.
Cravinho: “É um apelo ao bom senso” do primeiro-ministro
Miguel Baltazar
Catarina Almeida Pereira 12 de fevereiro de 2015 às 10:13

A carta ao primeiro-ministro, divulgada em dia de Conselho Europeu, é um "apelo ao bom senso, à responsabilidade, à negociação de boa fé". Perante a "terrível ameaça" ao futuro da União Europeia, Portugal "não pode continuar inerte", sustenta João Cravinho, um dos subscritores.

 

"Não vale a pena esconder a cabeça na areia. Todos os governos têm responsabilidade no sentido de encontrar soluções", defende o antigo ministro das Obras Públicas, que considerou "extremamente infeliz" a declaração de Pedro Passos Coelho sobre o programa grego, comparado a um "conto de crianças".

 

"Portugal está passivo. Está numa atitude de esperar uma recompensa por ser inerte", sustenta João Cravinho, em declarações ao Negócios, considerando que a actual situação política é "uma ameaça terrível ao futuro da UE".

 

"Pode garantir-me que no final do ano Espanha vai ter o sistema político e partidário que tem hoje? Que Itália vai ter estabilidade? Que França cumpre o tratado Orçamental? Os sinais são tantos, tão repetidos e tomam uma forma tão extensa que será uma loucura continuarmos a avançar em relação ao precipício, como se não houvesse nada fazer", diz.

 

Para o economista Ricardo Paes Mamede, outro dos signatários da carta, "seja qual for o resultado das negociações entre a Grécia e os parceiros europeus a situação europeia não poderá voltar a ser a mesma".

 

"Ou há uma ruptura e a Grécia é forçada a sair da Zona Euro – e isso abre um precedente que é a ideia de que o projecto [europeu] não é irreversível – ou as coisas correm favoravelmente, numa lógica de compromisso, o que significa que as instituições europeias acabarão por reconhecer que o ajustamento que estava a ser imposto à Grécia não é sustentável nem adequado. Isso abre outro tipo de precedentes: põe em causa a inflexibilidade que tem vindo a ser demonstrada pela Alemanha e não só".

 

A partir do momento em que se aceita a ideia de que a Europa "não será a mesma" "não faz sentido que o Governo português parta do princípio que as coisas vão continuar a ser como são. Não serão. E o Governo português deveria aproveitar esta ocasião para ter uma atitude mais construtiva, ajudando a encontrar soluções", conclui o professor do ISCTE.




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