Economia “É óbvio” que subir salários na Alemanha iria ajudar Portugal, defende Krugman

“É óbvio” que subir salários na Alemanha iria ajudar Portugal, defende Krugman

Há uma grande diferença nas relações económicas entre a Alemanha e Portugal e entre os Estados Unidos e El Salvador: os dois primeiros partilham uma moeda. “E isso cria obrigações para a Alemanha, goste ou não disso”, escreve no blogue o economista Paul Krugman, onde diz ainda que, se a Alemanha aumentasse os salários, Portugal iria beneficiar com isso.
“É óbvio” que subir salários na Alemanha iria ajudar Portugal, defende Krugman
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 20 de maio de 2013 às 16:20

Se Paul Krugman tivesse uma varinha mágica e se, apenas com um toque, os salários na Alemanha subissem 20%, Portugal seria afectado positivamente. O valor do euro iria cair face ao dólar e em relação às outras divisas. As exportações portuguesas tornar-se-iam “muito mais competitivas em qualquer lado, incluindo em relação a destinos que não a própria Alemanha ou que não são do euro”.

 

Este caminho é indicado pelo Prémio Nobel Paul Krugman num “post” colocado no “The conscience of a liberal”, o blogue que tem no “The New York Times”.

 

“Pensei que isto fosse óbvio. Aparentemente não”, escreve no “post” intitulado “Salários alemães e a competitividade portuguesa (um bocado sabichão)”.

 

O artigo insere-se no seio de um debate que existe entre vários economistas bloguers sobre a possibilidade de uma política monetária do Banco Central Europeu mais expansionista vir a ajudar a periferia da Europa.


Um desses bloguers é Tyler Cowen, que se mostra preocupado com o facto de uma política desse género vir a dinamizar a inflação na Alemanha – mais do que ajudar Portugal. “Portugal e a Alemanha não estão a concorrer directamente em muitos mercados de exportação em grande medida, pelo que aumentar os salários e os preços na Alemanha só iria ajudar Portugal ligeiramente”. Krugman coloca-se ao lado de outros dois economistas, Ryan Avent e Karl Smith, que criticam esta opinião de Cowen.

 

A Alemanha e Portugal, para o melhor e (principalmente) para o pior, partilham agora uma moeda e o que acontece na Alemanha afecta em demasiada o valor da moeda relativamente a outras divisas”
 
Paul Krugman

 

Para o premiado com o Nobel das Ciências Económicas, Cowen não percebe que é “irrelevante” que Portugal e a Alemanha não estejam em concorrência em muitos mercados. “Porque o ponto aqui é que a Alemanha e Portugal, para o melhor e (principalmente) para o pior, partilham agora uma moeda e o que acontece na Alemanha afecta em demasia o valor da moeda relativamente a outras divisas”, escreve Krugman no comentário publicado esta segunda-feira, 20 de Maio.

 

Na opinião de Paul Krugman, que cita Ryan Avent, a “diferença crucial entre as relações económicas entre a Alemanha e Portugal e, por exemplo, os Estados Unidos e El Salvador é que a Alemanha e Portugal partilham uma moeda”. “E isso cria obrigações para a Alemanha, goste ou não disso”, continua.

 

Em relação a esta comparação, o economista já fez uma correcção, dizendo que "El Salvador" tem uma moeda indexada ao dólar mas que isso foi uma escolha sua e não uma consequência do facto de pertencer e um projecto como o euro.

 

O aumento dos salários na Alemanha iria estimular o consumo interno, o que ajudaria as outras economias da Zona Euro. Krugman tem defendido que esta é a opção preferível para resolver a diferença de competitividade entre os países do centro europeu e os da periferia. “Mas, em última instância, vai ter de ser à custa dos salários dos portugueses”, disse o economista em Fevereiro do ano passado, quando mencionou a necessidade de resolver a falta de competitividade entre os mercados que fazem parte da mesma união monetária.

 

O norte-americano, que tem sido um crítico da austeridade imposta na Zona Euro, diz que a possibilidade para se fazer alguma coisa pela região está nas mãos de Berlim e Frankfurt. Por um lado, tem destacado o governo alemão, que poderia aumentar os salários. Por outro, o Banco Central Europeu, com uma política monetária mais expansionista.

 

 
A troca de argumentos nos blogues

Paul Krugman fez o seu comentário esta segunda-feira entrando num debate que se prolongou pelo fim-de-semana em vários blogues de economia. Em baixo, encontra as ligações e os títulos (na versão original), por ordem cronológica, dos vários comentários sobre a política monetária a implementar na Zona Euro e como ela afectaria a Alemanha ou Portugal.

 

17 de Maio, por Tyler Cowen . “Does the eurozone have a monetary policy transmission mechanism? Or rather a liquidity leak?

 

17 de Maio, por Karl Smith. “The ECB's Liquidity Leak

 

18 de Maio, por Tyler Cowen. “Karl Smith on the liquidity leak

 

19 de Maio, por Ryan Avent. “Der Elefant im Raum

 

20 de Maio, por Paul Krugman. “German Wages and Portuguese Competitiveness (A Bit Wonkish)

 




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