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Economia portuguesa deve ter escapado à recessão no segundo trimestre

A economia portuguesa deve ter escapado à recessão técnica, melhorando o seu desempenho no segundo trimestre, mas com um crescimento que não deve ter ido além dos 0,4%, segundo os especialistas contactados pela agência Lusa.

Negócios com Lusa 12 de Agosto de 2008 às 14:37
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A economia portuguesa deve ter escapado à recessão técnica, melhorando o seu desempenho no segundo trimestre, mas com um crescimento que não deve ter ido além dos 0,4%, segundo os especialistas contactados pela agência Lusa.

Na quinta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) vai divulgar as estimativas rápidas para a evolução do Produto Interno Bruto entre Abril e Junho, depois desta variável ter caído no primeiro trimestre 0,2% face aos três meses anteriores.

A média das estimativas dos analistas aponta para que no segundo trimestre a economia portuguesa tenha crescido 0,4%, face ao trimestre anterior, não voltando a repetir a contracção do início do ano, escapando à recessão técnica (dois trimestres consecutivos de descida do PIB face ao trimestre anterior).

O BES, que não tem uma estimativa precisa para o PIB trimestral, espera que a economia tenha praticamente estagnado, segundo o analista Pedro Matos Branco, num período em que o cenário de recessão "não está em cima da mesa".

Alguns indicadores de actividade, investimento, comércio e construção "indicam que a economia deve ter estagnado", tendência que "não surpreende", segundo o mesmo analista, dado o "mau desempenho" da Zona Euro (deve ter-se contraído no segundo trimestre).

A componente externa (exportações menos importações) deve ter dado um contributo negativo para o PIB, num trimestre em que o investimento deverá ter registado "alguma evolução positiva" e em que o consumo privado deve ter sido "bastante moderado", acrescentou Pedro Matos Branco.

Face a igual período de 2007, o PIB português deve ter aumentado 0,7% abaixo do ritmo de 0,9% do primeiro trimestre.

Cristina Casalinho, do BPI, lembra que o trimestre em causa pode também beneficiar (em termos homólogos) do facto de a Páscoa ter sido este ano no primeiro trimestre, o que aumenta o número de dias úteis entre Abril e Junho, face ao verificado em 2007. A expectativa é a de que o investimento tenha sido menos negativo no segundo trimestre e de que tenha havido algum adiamento do consumo, dada a entrada em vigor da baixa de um ponto percentual da taxa do IVA no dia 1 de Julho.

"É possível que com a descida do IVA em Julho tenha havido [no segundo trimestre] um adiamento das compras dos bens mais caros", acrescentou Cristina Casalinho, limitando a evolução do consumo. A evolução das componentes do PIB no segundo trimestre só será divulgada pelo INE a 8 de Setembro.

Rui Constantino, economista-chefe do Santander Negócios, lembra que o investimento corrigiu em baixa, no primeiro trimestre, face à "força" na construção no trimestre anterior, pelo que no segundo trimestre deste ano o investimento pode voltar a dar sinais de melhoria.

As exportações podem ter tido uma "pequena recuperação", acrescentou o mesmo responsável, e o consumo privado pode ter desacelerado um pouco, com as pessoas a optarem por adiarem a compra de bens duradouros.

Para o conjunto do ano, os analistas ouvidos pela Lusa esperam um crescimento do PIB de 1,3%, valor abaixo dos 1,5% antecipados pelo governo.

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