Eleições Eleição de Marcelo é derrota da esquerda, convergem BE e CDS

Eleição de Marcelo é derrota da esquerda, convergem BE e CDS

Só Catarina Martins e Paulo Portas leram a eleição presidencial de Marcelo à primeira volta como resultado de um embate entre esquerda e direita. Ambos chegaram a conclusões convergentes.
Eleição de Marcelo é derrota da esquerda, convergem BE e CDS
Paulo Duarte
Eva Gaspar 25 de janeiro de 2016 às 01:26

Paulo Portas, líder do CDS-PP, e Catarina Martins, coordenadora do BE, foram os dois únicos líderes partidários que leram publicamente a eleição à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência da República também como o resultado de um embate entre esquerda e direita. E ambos chegaram a conclusões convergentes: os 52% obtidos pelo antigo presidente do PSD são "uma derrota da esquerda", diz Martins; já Portas constatou a inexistência de "uma maioria de portugueses pela aliança de esquerda democrática com a extrema-esquerda".

"A vitória da direita nestas eleições é uma derrota para a esquerda, da qual devemos retirar lições", afirmou Catarina Martins, acrescentando que "a ambiguidade não mobiliza ninguém e a desistência é sempre o pior dos caminhos. Nunca é o caminho do Bloco de Esquerda".

Falando ao lado da candidata presidencial apoiada pelo BE, Marisa Matias, que recolheu 10,1% dos votos, arrecadando o melhor resultado do partido em eleições presidenciais, Catarina Martins disse que "terá que existir uma reflexão no país sobre como a direita venceu estas eleições à primeira volta" depois de ter sido questionada pelos jornalistas sobre se foi o PS que falhou com a falta de apoio a um só candidato.


O PS obteve 32,4% nas últimas legislativas. A soma dos votos dos candidatos apoiados por destacados socialistas - Sampaio da Nóvoa (22,8%) e de Maria Belém (4,2%) - ficou-se por 27%.


Embora destacando que Marcelo Rebelo de Sousa foi um candidato com "larga e reconhecida independência face à área política de origem" e que são "inadequadas" leituras partidárias, Paulo Portas sublinhou que os resultados das presidenciais mostram que estas eleições "nunca foram uma segunda volta das legislativas", não se repetindo "uma maioria de portugueses pela aliança de esquerda democrática com a extrema-esquerda". "É igualmente relevante compreender que os portugueses votaram de forma a preferir o equilíbrio político à concentração de todos os poderes numa só área política", acrescentou o ainda líder do CDS-PP, referindo que Marcelo Rebelo de Sousa obteve mais do dobro dos votos do que o segundo mais votado, Sampaio da Nóvoa.


Numa altura em que ainda estão frescas as críticas da esquerda a Cavaco Silva por alegadamente ter atrasado a tomada de posse do governo minoritário de António Costa, Pedro Passos Coelho, em nome do PSD, destacou, por se turno, a "autoridade política inequívoca" do novo Presidente não obstante a elevada abstenção. O ex-primeiro-ministro lembrou que o papel de um Presidente da República não é o de se sobrepor aos partidos mas estar além deles, bem como de colaboração institucional, e disse ter a certeza de que esse papel será desempenhado por Marcelo Rebelo de Sousa, "de acordo com os princípios do que constitucionalmente cabe a um Presidente da República".



Socialistas pedem reflexão interna

António Costa foi o último líder partidário a reagir à vitória do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP. Fê-lo na qualidade de chefe de governo (depois de, presente na sede de Sampaio da Nóvoa, a sua mãe, Maria Antónia Palla, ter publicamente lamentado a sua ausência) e não enquanto secretário-geral do PS. Essa tarefa que ficou para Ana Catarina Mendes, que reconheceu a vitória de quem "não era o candidato preferido dos socialistas", depois de diversas figuras de proa do partido terem abertamente afirmado que, depois da derrota das legislativas, esta nova derrota nas presidenciais é "motivo para reflexão" no seio do partido.


Foi o caso de Manuel Alegre, apoiante de Maria de Belém, que, sem rodeios, afirmou que "havendo uma derrota da esquerda, há uma derrota do PS que é o principal partido da esquerda". Na sede de Sampaio da Nóvoa, a eurodeputada socialista Ana Gomes fazia idêntico apelo.  "Acho que o PS tem de reflectir porque manifestamente não tem andado bem".

cotacao  Havendo uma derrota de esquerda, há uma derrota do PS que é o principal partido da esquerda.  Manuel Alegre


Já o primeiro-ministro, falando a partir de residência oficial, manteve a sua intervenção nesse patamar, prometendo "máxima lealdade institucional e plena cooperação institucional" ao novo Presidente da República, a quem desejou as "maiores felicidades". António Costa lamentou a elevada abstenção mas saudou os resultados das eleições presidenciais, considerando que mostram que as candidaturas populistas e anti-sistema foram rejeitadas pelos portugueses.


PCP sofre derrota histórica

O líder comunista, Jerónimo de Sousa, manifestou, ao invés, "legítimas inquietações" pela eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, dizendo que a sua eleição é, "na actual fase da vida política nacional, um factor negativo que não pode deixar de levantar legítimas inquietações quanto ao seu futuro mandato". Falando ao lado de Edgar Silva, que obteve o pior resultado para os comunistas na história das eleições presidenciais, com menos de 4% dos votos, Jerónimo de Sousa disse que o resultado decorre da seriedade do partido. "Não é por acaso que é um partido que tem muito mais influência social e política do que eleitoral. Podíamos apresentar uma candidata assim mais engraçadinha, um discurso populista, seria fácil aumentar votação", afirmou, numa provável referência a Marisa Matias do BE, para logo recusar alguma vez trocar "valores e princípios" por um melhor resultado eleitoral. O líder do PCP lamentou, também, que não tivesse sido tida em conta a tese dos comunistas de uma "real possibilidade" de derrotar o antigo comentador político "se todos se tivessem verdadeiramente envolvido" naquele objectivo.




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