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Eleitores “vingam-se” das medidas de austeridade e colocam PSD sob “voto de castigo”

A leitura nacional a partir dos resultados das eleições autárquicas, que Cavaco Silva não queria que fosse feita, está a ser uma realidade na imprensa internacional. Escrevem os jornais estrangeiros que o Governo de coligação foi castigado no primeiro teste eleitoral desde que está em curso o programa de resgate.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2013 às 08:05
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Era um primeiro teste e o Governo de coligação chumbou. É esta a conclusão que a imprensa internacional está a fazer das eleições autárquicas em Portugal, que tiveram lugar este domingo, 29 de Setembro.

 

A leitura nacional com base nas eleições autárquicas, que tanto deu que falar durante a campanha e que o próprio Presidente da República pediu que não fosse feita, está em praticamente todas as notícias internacionais sobre o sufrágio eleitoral português.

 

“Eleitores rejeitam políticas orçamentais em eleições locais” é o título do artigo escrito pela agência France Presse a partir de Lisboa. “A oposição socialista infligiu uma contundente derrota sobre os social-democratas nas eleições locais, com os eleitores a mostrarem a sua frustração face às medidas de austeridade do Governo”, aponta a peça.

 

O Presidente da República, Cavaco Silva, fez questão de sublinhar no domingo que estas eram eleições locais – para as câmaras, assembleias municipais e assembleias de freguesia – e que, daí, não poderia haver conclusões nacionais. Mas a derrota laranja é vista como um “castigo” à política de austeridade orçamental implementada desde que, após o pedido de resgate financeiro internacional em 2011, Portugal tem concretizado medidas de contenção orçamental com efeitos na vida dos portugueses. É um “voto de castigo”, sintetiza o “El Mundo”.

 

O irlandês “Independent” sublinha que os eleitores portugueses “castigaram” os social-democratas “pela dolorosa austeridade sob o resgate da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu”. Quem ficou a ganhar foi o PS e os candidatos independentes, escreve. António Costa alcançou uma maioria absoluta na maior câmara do País, Lisboa, enquanto o candidato independente Rui Moreira conseguiu chegar ao município do Porto.

 

Muitos eram os que diziam que o o sufrágio que decorreu este domingo, 29 de Setembro, era visto como um primeiro teste eleitoral às políticas de austeridade impostas pelo actual Executivo de coligação. “Os eleitores parecerem ter conseguido a sua vingança”, concretiza a AFP.

 

Nesta segunda-feira, a palavra eleições está, em grande parte das notícias, associada a castigo. “Mais do que a luta particular em cada cidade, os portugueses castigaram, nas eleições municipais de domingo, os dois anos e meio de medidas ininterruptas de austeridade e os cortes permanecentes do governo de centro-direita de Pedro Passos Coelho”, reitera o correspondente na capital portuguesa do “El País”.

 

O jornal espanhol não esquece, contudo, o triunfo particular do Partido Socialista na capital. E também daí faz uma leitura nacional. Para a publicação, a vitória de António Costa “é tal que pode chegar a importunar o actual secretário-geral do PS, António José Seguro”, já que o seu nome sempre foi dado, pela imprensa portuguesa, “como um líder natural da esquerda”. “Se as intenções de Costa são essas, os resultados nas eleições catapultam-no”.

 

O “Financial Times”, embora admita o “revés” para Passos Coelho, não antevê grandes mudanças de política ou mesmo de percepção internacional sobre o estado do País. “Apesar das derrotas dos partidos da coligação para os governos locais, os credores internacionais e os investidores deverão estar mais preocupados com a capacidade do governo em cumprir as metas do défice e em conseguir cortar as despesas exigidas no resgate”.

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