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Elementos da troika discordam da capacidade reformista do Governo grego

De um lado a Comissão Europeia mostra satisfação pelo ritmo do programa de reformas empreendido por Atenas, enquanto do outro, tanto o FMI como o BCE revelam preocupação quanto ao abrandamento do mesmo.

Grécia - Gregos mantêm posição de força contra medidas impostas pela troika
Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 23 de Julho de 2014 às 17:29
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As mais recentes reacções da União Europeia perante o programa de reforma grego tiveram um tom elogioso. No entanto o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram ainda alguma apreensão perante a eventualidade de o Governo grego relaxar o ímpeto reformista até aqui prosseguido.

 

Esta quarta-feira a equipa da Comissão Europeia que segue o processo grego revelou satisfação pela capacidade reformista demonstrada até ao momento pelo Governo grego. Citada pelo jornal Ekathimerini, a Comissão congratulou-se, relativamente aos resultados do segundo trimestre deste ano, que "a administração pública da Grécia continuou com uma significativa racionalização dos seus quadros".

 

A Comissão acrescentou ainda que a percentagem da massa salarial da função pública grega, face ao produto interno bruto do país, está agora abaixo da meta definida Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

 

De acordo com a instituição presidida por Jean-Claude Juncker, Atenas conseguiu, entre outras, reduzir os custos para início de actividade empresarial e reduzir a carga fiscal que incidia sobre as transferências de propriedades. Todavia a leitura agora feita pela Comissão não corresponde à análise feita recentemente pelo FMI.

 

Em Junho o FMI apontava, refere o jornal grego, que o programa de reformas relativo aos gastos em áreas como a saúde e a defesa, paralelamente à recuperação económica e ao progressivo acesso aos mercados de capitais, está a afectar negativamente o ritmo reformista evidenciado pelas autoridades de Atenas.

 

"A fadiga do ajustamento instalou-se", admitiu a equipa do FMI em Atenas, o que está a "dificultar a prossecução corajosa e rápida das reformas necessárias", acrescentou o Fundo.

 

Numa linha próxima à da instituição liderada pela francesa Christine Lagarde, o italiano Mario Draghi, que preside ao Banco Central Europeu, terá revelado preocupação, escreve a Bloomberg, perante o eventual relaxamento demonstrado pelo ministro das Finanças grego, Gikas Hardouvelis, relativamente aos esforços reformistas.

 

A Grécia permanece sob assistência financeira internacional desde 2010, estando já na execução do segundo programa de resgate, tendo beneficiado até ao momento de empréstimos no valor de 240 mil milhões de euros.

 

Apesar das divergências reveladas pelos membros da troika, de acordo uma análise da OCDE, Atenas conseguiu no último ano aproximar-se do topo do ranking, dos países desenvolvidos, no que diz respeito à capacidade para aplicar reformas estruturais.

 

O ministro das Finanças grego anunciou, esta terça-feira, que até ao final desta semana, ou na próxima, irá entregar à troika uma carta de intenções com novas medidas a adoptar a fim de que seja libertada a parcela de uma tranche que continua pendente.

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