Economia Emigração portuguesa para a Suíça voltou a afundar em 2015

Emigração portuguesa para a Suíça voltou a afundar em 2015

A entrada de portugueses no território recuou 19% no ano passado e quase metade dos 12.325 registos "escondem" a transformação de autorizações provisórias em permanentes.
Emigração portuguesa para a Suíça voltou a afundar em 2015
reuters
António Larguesa 26 de setembro de 2016 às 14:58

O número de entradas de portugueses na Suíça afundou pelo segundo ano consecutivo, mostram os dados oficiais do departamento federal de estatísticas. Em 2015 foram 12.325 os cidadãos nacionais que se instalaram ali de forma permanente, ou seja, menos 2.896 do que no ano anterior.

 

Depois de cair 24% em 2014, no ano passado o decréscimo na nova emigração portuguesa naquele território foi de 19%. Esta "tendência recessiva", como designa o presidente do Observatório da Emigração (OdE), acontece em contraciclo com o aumento, ainda que ligeiro (0,9%), do número total de estrangeiros.

 

Ainda no que toca ao número de entradas naquele país, detalha Rui Pena Pires, este registo oficial traduz-se assim "numa perda relativa de importância" da comunidade portuguesa, cuja representação passou em apenas dois anos de 12% para 7,6% do total. No total, foram contabilizadas as entradas de 162.563 migrantes na Suíça.

 

"É uma realidade que se vai verificando desde 2013, em que Suíça regista uma situação economia mais estagnada, com crescimentos muito baixos do PIB, que não chegam a 1%, particularmente afectada pelo poder do franco suíço e, ultimamente, pela instabilidade em torno das questões políticas relativas à livre circulação dos cidadãos da União Europeia", justifica o investigador José Carlos Soares.

 

Num registo áudio disponibilizado pelo OdE, que na quinta-feira, 29 de Setembro, assina com o Governo um novo protocolo em que recupera verbas e autonomia, este professor do Instituto Politécnico de Leiria frisa que aproximadamente 40% destes registos de entradas de portugueses resulta "da transformação de autorizações de permanência de curta duração [inferiores a um ano] em autorizações permanentes". E acrescenta que "Portugal é um dos países em que isso é mais evidente".

 

O que está a acontecer em 2016?

 

O actual investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Nova de Lisboa, que em 2016 concluiu na Universidade de Coimbra o doutoramento sobre "Os Novos Movimentos Migratórios Portugueses – O Caso da Emigração Portuguesa para a Suíça", cita ainda os registos mensais feitos pelas autoridades suíças nos primeiros sete meses de 2016, que podem aligeirar ou mesmo interromper a tendência de queda no final deste ano.

 

É que, comparando os dados até Julho com a evolução no mesmo período nos anos anteriores, verifica-se que houve perto de 9.000 entradas nos primeiros sete meses do ano, que é um valor semelhante ao obtido até esta fase em 2014. "Em 2015 descemos e em 2016 parece que voltamos a aumentar um pouco. Agora resta saber se esta evolução se mantém até ao final do ano", atesta José Carlos Soares.

 

Em declarações ao Negócios, publicadas a 15 de Agosto, o presidente do Observatório da Emigração referiu que, face aos dados disponíveis e à expectativa sobre valores provisórios, "não apostaria que 2015 tenha sido já um ano de descida" em relação aos 110 mil portugueses que decidiram saltar a fronteira no ano anterior. "Se for, é uma coisa pouca significativa. A emigração portuguesa vai manter a tendência para a estabilização num patamar muito elevado", sustentou.




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