Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Empresários admitem erros e querem compromissos políticos

Na primeira convenção da iniciativa “Compromisso Portugal”, os empresários admitiram que a falta de capacidade de gestão possa estar na origem dos problemas do país mas propõem 30 medidas para empresas e políticos para ultrapassar esta condição.

Bárbara Leite 10 de Fevereiro de 2004 às 21:39
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Na primeira convenção da iniciativa “Compromisso Portugal”, os empresários admitiram que a falta de capacidade de gestão possa estar na origem dos problemas do país mas propõem 30 medidas para empresas e políticos para ultrapassar esta condição.

Num encontro de reuniu cerca de 550 empresários, gestores e profissionais liberais, no Convento do Beato, os empresários que organizaram o evento admitiram um “mea culpa” pelos atrasos do país.

”Fiquei desapontado pelas desculpas (pela falta de qualidade e competências). É a nossa gestão que não tem nível suficiente para encontrar o padrão de produtividade ao nível da Europa”, defendeu António Borges, economista português e vice-presidente da Golman Sachs.

Por seu lado, Viana-Batista, também português e presidente da Telefónica Móviles, entende que, por exemplo, as empresas na região da Galiza “têm uma vantagem competitiva porque os empresários têm uma visão global da economia e não local”.

”Temos que ser mais empresários e menos mercadores”, defendeu, por seu lado, José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI).

A cooperação empresarial e um reforço do associativismo são tidos como fundamentais para Portugal acrescentar valor, dizem os empresários.

”Precisamos um associativismo mais unificado”, disse António Carrapatoso, presidente da Vodafone Telecel, acrescentando que “era importante uma nova cúpula associativa onde se delegasse uma representativa mais genérica”. Este responsável refere, sobre esta questão, que “à partida não é minha intenção” integrar esse órgão.

Apesar da empresa que gere ser detida a 100% por capital britânico, Carrapatoso salienta que “somos uma empresa portuguesa e há vantagens de ser associado”a empresa de maior dimensão.

Para António Borges, “temos pouca capacidade de enfrentar no conjunto. Há muito mais combate interno do que espírito construtivo colectivo”, realçando que nos Estados Unidos há um “patriotismo” que não existe tanto em Portugal.

”Ganhei (um concurso de concessão de auto-estradas em Espanha) associado com empresas médias espanholas porque elas (empresas) se sabem associar”, reforçou José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI).

A qualificação dos recursos, bem como a renovação da geração dos empresários portugueses foram outras das condições apontadas para desenvolver a economia do país.

Paulo Azevedo, presidente da Sonaecom deu o seu contributo para este debate, reforçando que é necessário uma aposta em mercados internacionais, um reforço da formação e duplicar os gastos em investigação e desenvolvimento em três anos.

Todos pedem um compromisso também da classe política, mas não centram somente nela, as dificuldades nacionais.

A falta de acordo entre partidos políticos e o passo lento das reformas do Estado, bem como a falta de flexibilidade da legislação laboral foram críticas apontadas por uma série de empresários no encontro.

Jorge Armindo, presidente da Portucel lembrou ainda a questão da dimensão das empresas. “Sem dimensão não é possível sobreviver”, disse Armindo que pediu que “se passem das palavras à acção”.

Para Fernando Ulrich, vice-presidente do Banco BPI, por seu lado, é “absolutamente necessário, a redução da carga fiscal e a liberalização do mercado de trabalho”.

”Quando falo em liberalizar é liberalizar os despedimentos colectivos e sobretudo os individuais e liberalizar as modalidades de contratação que as entidades empregadoras pretendem adoptar”.

Por último, Ulrich fez questão de mencionar um rol de 11 individualidades nacionais, como Belmiro de Azevedo, Jardim Gonçalves, Pinto da Costa ou Álvaro Cunhal lembrando à audiência que “há um ponto em comum em todos eles que quero sublinhar. Na sua esfera de acção mudaram a realidade que encontraram para melhor. Lutaram e venceram e não andaram à procura de consensos”, concluiu.

Ver comentários
Outras Notícias