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Eram precisos recursos naturais de 2,6 planetas para Portugal ter actual nível de consumo

Os portugueses precisavam de recursos naturais equivalentes aos produzidos por mais de dois planetas e meio para manter o seu actual estilo de vida, revela um documento publicado esta terça-feira pela organização ambientalista WWF.

Lusa 30 de Setembro de 2014 às 00:29
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O relatório Planeta Vivo 2014, elaborado pela organização internacional de defesa do ambiente WWF, posiciona Portugal na 27.ª posição - entre 151 países do ranking mundial - e, tal como todos os países da União Europeia (UE), destaca-se por uma pegada ecológica (medida da pressão humana sobre a natureza) elevada e uma biocapacidade (possibilidade de reposição de recursos) reduzida.

 

"Aos níveis atuais de consumo, precisaríamos [os portugueses] de 2,6 planetas para vivermos, o que é completamente insustentável, uma tendência seguida em toda a Europa", explicou Angela Morgado, coordenadora do programa da WWF em Portugal, à agência Lusa.

 

Portugal tem uma pegada ecológica idêntica à média da UE, de 4,6, sendo a Bélgica o Estado membro com a maior pegada no grupo europeu, ficando, a nível global, entre os 10 primeiros países.

 

Angela Morgado explicou que "a principal componente dessa pegada, o que torna essa pegada elevada, é o consumo de combustíveis fósseis, é o carbono, [que] chega a representar 50% da pegada e, em Portugal representa 41%, com um ligeiro decréscimo", que a WWF associa à crise económica.

 

Em Portugal, são ainda realçados outros componentes na pegada ecológica, como a pesca, com 22%, a agricultura e pastagens, registando as três, "um ligeiro aumento". 

 

Para desagravar a actual situação de gastar mais recursos do que aqueles que o planeta tem capacidade para produzir e repor, "são necessárias mudanças" no comportamento dos cidadãos e das empresas.

 

Angela Morgado apontou alterações nas formas de mobilidade, e, de modo indirecto, nos produtos consumidos. "Temos de perceber qual a sua origem, para tentarmos reduzir ao máximo o componente do carbono", referiu.

 

Nas mudanças necessárias entre os cidadãos contam-se a opção por alimentos produzidos localmente, para evitar o transporte de longa distância, e pela produção doméstica de energias renováveis, através da instalação de painéis fotovoltaicos, por exemplo. Para a indústria, uma das alterações relaciona-se com a redução da queima de combustíveis fósseis.

 

"A pegada ecológica de Portugal é elevada. A insustentabilidade do nosso estilo de vida tem levado à perda da biodiversidade, tanto ´em casa´ como no exterior - as nossas opções de consumo prejudicam os sistemas naturais dos quais dependemos para os alimentos que consumimos, o ar que respiramos e o clima ameno que precisamos", resume Angela Morgado, na síntese da apresentação do relatório para Portugal.

 

O Relatório Planeta Vivo 2014 é a décima edição da principal publicação bianual da Rede WWF, tem o tema "Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares" e analisa mais de 10.000 espécies de populações de vertebrados entre 1970-2010.

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