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Escalada de protestos na Grécia no dia em que o novo pacote de austeridade vai ao Parlamento

Os cerca de 700 mil funcionários públicos gregos, que representam 13% da população empregada, iniciaram hoje uma greve de 48 horas, no dia em que o Governo apresenta ao Parlamento as draconianas medidas de austeridade impostas pela comunidade internacional para viabilizar um empréstimo de 110 mil milhões de euros.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 04 de Maio de 2010 às 11:14
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Os cerca de 700 mil funcionários públicos gregos, que representam 13% da população empregada, iniciaram hoje uma greve de 48 horas, no dia em que o Governo apresenta ao Parlamento as draconianas medidas de austeridade impostas pela comunidade internacional para viabilizar um empréstimo de 110 mil milhões de euros.

Um financiamento que é destinado a evitar que o país resvale para a “bancarrota” e arraste outros países do euro para o mesmo cenário.


As ruas de Atenas estão tomadas por manifestantes que chegaram à Acrópole, ex-libris da cidade, onde um grupo de duas centenas de membros do Partido Comunista grega içaram uma enorme faixa em que instam: “Povos da Europa, revoltem-se”.

A nova greve, a quinta desde o início do ano, surge numa altura particularmente delicada em que o Governo tem de ver aprovadas no Parlamento as novas medidas acordadas com os europeus e com o FMI por contrapartida da que promete ser a maior operação de socorro de sempre montada pela comunidade internacional para auxiliar um Estado soberano a fazer face às suas dívidas colossais.

Em comunicado, a ADEDY, a maior confederação sindical da função publica, justifica a greve com o facto de considerar que as medidas que estão a caminho significam o fim “direitos” conquistados pelos trabalhadores e um “retrocesso da sociedade grega aos anos 60”.

A greve está a transtornar os transportes no país, impediu a abertura de escolas e de diversos serviços públicos, estando os hospitais a funcionar em regime de serviços mínimos. No aeroporto internacional de Atenas, as duas principais companhias aéreas do país, a Olympic Airlines e Aegean Airlines foram entretanto obrigadas a cancelar dezenas de voos domésticos.

Contudo, informa a agência Bloomberg, a maior parte das empresas privadas estão a funcionar normalmente e os transportes públicos na capital estão igualmente a circular.

Depois de ontem ter apresentado os termos e as condições do empréstimo internacional ao presidente do país, o primeiro-ministro grego, George Panpandreou tenta hoje convencer o parlamento – onde o seu partido, o Pasok, detém a maioria – a dar “luz verde” ao violento plano de austeridade desenhado até ao final de 2103 e que promete afundar a economia 4% neste ano e outros 2,6% em 2011.

Entre as principais medidas – que deverão permitir uma poupança líquida equivalente a 11% do PIB – está um novo aumento da taxa do IVA (em Março passara de 19% para 21% e será agora agravada para 23%) e uma nova subida de 10% nos impostos sobre tabaco, bens de luxo, combustíveis e bebidas alcoólicas.

Por outro lado, o congelamento dos salários dos 700 mil funcionários públicos será prolongado até 2014 e os vencimentos suplementares correspondentes aos subsídios de férias, Natal e Páscoa serão abolidos para quem ganhe mais do que três mil euros mensais e ficarão limitados a um máximo de mil euros para os demais. Outros vencimentos extraordinários, que já tinham sido cortados no anterior plano de austeridade, sofrem um novo corte de 8%.

Atenas promete ainda uma redução “significativa” das despesas militares, que absorvem quase 4% do PIB.
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