Justiça Escuta do caso "Face Oculta" usada agora para acusar Sócrates

Escuta do caso "Face Oculta" usada agora para acusar Sócrates

O Correio da Manhã noticia esta quarta-feira que o Ministério Público se prepara para usar uma escuta de uma conversa entre Vara e Laurentino Dias captada no Face Oculta para avançar agora com uma acusação de corrupção contra o ex-primeiro-ministro.
Escuta do caso "Face Oculta" usada agora para acusar Sócrates
Negócios 15 de março de 2017 às 10:40

Armando Vara, então vice-presidente do BCP, e Laurentino Dias, à data secretário de Estado do Desporto, foram apanhados numa escuta durante a investigação do caso "Face Oculta" em que Vara tentava convencer Laurentino a, através de Sócrates, pressionar a Caixa Geral de Depósitos a financiar com urgência o Autódromo do Algarve. E isso apesar de, na mesma conversa, o próprio Vara afirmar que o projecto era "irracional do ponto de vista económico" e um "sorvedouro de dinheiro".

 

A notícia é avançada esta quarta-feira pelo Correio da Manhã, segundo o qual o Ministério Público considera relevante esta escuta para a usar agora como prova na acusação de corrupção que pretende fazer a Sócrates no caso de Vale de Lobo. No interrogatório a que foi submetido esta semana pelo Ministério Público, José Sócrates terá sido confrontado com mais esta escuta, escreve também o jornal. 

 

Sócrates terá alegadamente recebido um milhão de euros para favorecer o empreendimento de Vale de Lobo num conjunto de empréstimos concedidos pela Caixa a um grupo de investidores portugueses que compraram o empreendimento no final de 2006. Esse dinheiro terá ido depois parar a contas bancárias em "offshores" das quais era beneficiário Carlos Santos Silva, o amigo do ex-primeiro-ministro que lhe terá servido de testa-de-ferro. Sócrates nega ter tido qualquer tipo de influência no negócio.

 

O Correio da Manhã escreve agora que Vara afirmava a Laurentino, na referida chamada telefónica, que Sócrates deveria "dar um conforto" junto da CGD, o que permite ao Ministério Público concluir que o então Governante tinha poderes junto do banco público para influenciar as decisões relativamente aos empréstimos e financiamentos.

 

O Ministério Público tem um prazo até esta sexta-feira para avançar com uma acusação no âmbito da Operação Marquês, não sendo certo, ainda, se será possível fazê-lo ou se pedirá novamente um alargamento do prazo.



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