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“Espanha, Portugal e Grécia necessitam de uma desvalorização interna de 30%”

Para o presidente do instituto alemão IFO, “menos austeridade agora significará mais dor no futuro”. Em entrevista ao jornal espanhol “El Pais”, Hans-Werner Sinn que o ajustamento no Sul da Europa "vai ser doloroso", mas "não há alternativa"

Negócios 04 de Março de 2013 às 10:07
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Hans-Werner Sinn, presidente do instituto alemão IFO, avisa, em entrevista publicada esta segunda-feira no “El Pais”, que “não há soluções fáceis” para o Sul da Europa e que o ajustamento “vai ser doloroso”.

 

Em sua opinião há três alternativas: a desvalorização interna no Sul; a desvalorização interna no Sul através de uma expansão no Norte; e a saída do euro de alguns países. “O mais provável é uma combinação dessas opções”, afirma, acrescentando que “Espanha, Portugal e Grécia precisam de uma desvalorização interna de 30%; França de 20%; Itália de um corte de preços de 10%”. Quanto à Alemanha, diz Hans-Werner Sinn, deve encarecer 20%”.

 

Para o presidente do IFO, “na zona euro a austeridade é inevitável. É um processo extremamente difícil” mas não há alternativa”.

 

Apesar de dizer compreender que alguns queiram menos ajustes, “menos austeridade significaria menos sofrimento agora em troca de mais dor no futuro e do aumento do risco de ruptura do euro”.

 

“Não deve haver ilusões sobre a dor que vem. Vai ser duro. As desvalorizações internas podem ser cruéis. Mas, se um país acredita que vai ser demasiado pode sair do euro”, defende.

 

Hans-Werner Sinn considera ainda não acreditar que Espanha tenha de sair, já a Grécia sim: está numa situação tão desesperada, não poderá prosperar no euro. As actuais exigências europeias sacrificam uma geração a um desemprego massivo. Portugal está em uma situação semelhante”

 

Questionado pelo jornal quanto a um conselho a dar a Rajoy, o responsável diz que aprove outra reforma laboral que reduza os salários. “Isso fez Schröder em 2003. Eliminou o salário mínimo e laminou o Estado-Providência privando milhões de pessoas de ajudas sociais: isso provocou distúrbios e protestos. Custou-lhe o cargo. No entanto, foi a política adequada. Rajoy pode, com isso, não governar muito tempo, mas isso é o que a Espanha precisa”.

Transferir o modelo alemão em toda a Europa é, em sua opinião, a única possibilidade.

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