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Espanha trava crescimento das exportações têxteis

Em Fevereiro, o maior cliente desta indústria reduziu as compras em quase 10%, imitando o recuo britânico. Com a Europa a dar sinais de fraqueza, os destinos extra-comunitários reconquistam relevância.

Bloomberg
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 10 de Abril de 2017 às 14:32
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As exportações da indústria têxtil e de vestuário recuaram 0,7% em Fevereiro, segundo os dados do INE compilados esta segunda-feira, 10 de Abril, pela principal associação do sector (ATP). São apenas três milhões de euros a menos do que em igual período do ano passado, para um total de 423 milhões, mas suficientes para interromper a progressão das vendas ao exterior, que em 2016 superaram a barreira dos cinco mil milhões de euros.

 

A "culpa" é dos espanhóis – os maiores clientes desta indústria, com uma quota de 32% –, que no segundo mês deste ano compraram menos 14 milhões de euros, num recuo homólogo que ficou próximo dos dois dígitos (-9,4%). Dos cinco melhores mercados, tal como acontecera em Janeiro, também o Reino Unido voltou a encolher as encomendas em um milhão de euros no mês anterior à formalização do Brexit, acumulando uma redução de 4% desde o arranque do ano.

 

A França e a Alemanha, que completam o pódio dos melhores mercados externos, contribuíram com aumentos ligeiros para os resultados de Fevereiro, em que os Estados Unidos se voltaram a destacar. Ao comprarem mais cinco milhões de euros à indústria nacional, os americanos fecharam os dois primeiros meses do ano com uma subida acumulada de 16%, o maior aumento em termos percentuais, consolidando a quinta posição no ranking dos melhores destinos.

 

A performance registada em Fevereiro confirmou assim o regresso dos EUA aos "bons velhos tempos" enquanto cliente deste sector, como classificado no mês anterior pelo presidente da ATP, Paulo Melo. E consolida outra tendência nestes primeiros dois meses do ano: os mercados extra-comunitários apresentaram "maior dinamismo" neste período, com um aumento absoluto de 13,4 milhões de euros (+11%), que compara com a subida de apenas 1%, equivalente a nove milhões de euros, nos destinos europeus.

 

Além dos EUA, no acumulado de Janeiro e Fevereiro, o destaque da associação dos empresários do têxtil e do vestuário vai para o crescimento das exportações registado nos seguintes destinos não comunitários: Angola (+1,4 milhões de euros; +30%) que "parece estar a recuperar da queda sofrida nos últimos anos", Canadá (+1,3 milhões de euros; +20%), Brasil (+1,2 milhões de euros; +119%) e Marrocos (+1,2 milhões de euros; +32%).

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