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Espanha aguarda oferta detalhada de ajuda do BCE

Madrid não quer que eventual empréstimo exija, em contrapartida, mais rigor orçamental ou mais velocidade nas reformas estruturais.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 03 de Setembro de 2012 às 12:48
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A Espanha ainda está à espera de uma oferta detalhada do Banco Central Europeu (BCE) e não tomará qualquer decisão sobre um possível pedido de assistência antes de conhecer as condições que lhe serão impostas, afirmou nesta segunda-feira o ministro de Finanças espanhol, Luis de Guindos

"Não está claro como será realizada uma intervenção do BCE e não está claro quais as condições que serão exigidas em troca", disse Guindos durante entrevista a uma rádio espanhola. O ministro acrescentou que acredita que os parceiros europeus não pedirão maiores esforços ao país em matéria de consolidação orçamental e de reformas económicas, lembrando que o Governo assumiu compromissos adicionais recentemente, alguns deles - como o aumento do IVA - acabam de entrar em vigor.

Já na semana passada, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy,dissera ser extemporâneo falar de um eventual pedido de assistência à União Europeia para ajudar a financiar o Estado espanhol, que tem recebido pedidos de empréstimo de algumas regiões, caso da Catalunha. Até porque, sublinhou, não sabe que tipo de “oferta” a Europa estará em condições de lhe fazer.

“Da mesma forma que, quando pedimos ajuda ao sector financeiro foi porque pensámos que era bom para a Espanha, para que o crédito recupere e haja crescimento económico e emprego, quando souber exactamente os termos da oferta, tomarei uma decisão”, respondeu aos jornalistas, citado pela agência Bloomberg.

A Espanha obteve já a promessa de 100 mil milhões de euros de empréstimos da União Europeia destinados à reestruturação do sector bancário, mas o governo tem alertado que os elevados custos de financiamento são insustentáveis, tendo pedido insistentemente ao BCE que intervenha no sentido de reduzir as taxas de retorno ("yields") associadas aos títulos de dívida pública do país.

O novo modelo de compras de dívida pública pelo BCE deve ser discutido, em detalhe, pelo Conselho de Governadores da instituição nesta quinta-feira, 6 de Setembro. Até agora, o que se sabe do novo modelo é relativamente pouco e decorre da exposição oral feita por Draghi em Agosto: a intervenção do BCE exigirá o pedido formal de assistência de um país que terá, portanto, de se conformar com as condições de ajustamento e mecanismos de acompanhamento impostos pelos seus parceiros, e deverá concentrar-se no mercado secundário de dívida de mais curto prazo. Espanha estará já na lista de espera, mas recusa que lhe sejam impostas novas exigências em matéria orçamental ou de reformas económicas.
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