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Espanha paga juros mais altos e coloca menos dívida do que o previsto (act.)

As rendibilidades pedidas pelos investidores subiram em relação a leilões anteriores e Espanha não colocou toda a dívida que pretendia. Foi assim o primeiro leilão de dívida espanhol depois de apresentado o Orçamento do Estado.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Abril de 2012 às 10:08
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Espanha colocou hoje menos dívida do que o que pretendia no mercado mas teve de aceitar pagar juros mais altos.

É o resultado do primeiro leilão de dívida espanhol depois de ter sido apresentado o Orçamento do Estado espanhol, num pacote de consolidação orçamental de 27 mil milhões de euros.

Quando comparadas com emissões anteriores, as rendibilidades exigidas pelos investidores foram mais elevadas nos três prazos das obrigações hoje leiloadas por Espanha (com maturidades em 2015, 2016 e 2020).

No conjunto das três linhas de financiamento, foram colocados 2,59 mil milhões de euros pelo Tesouro do Governo de Mariano Rajoy.

O montante ficou próximo do valor mínimo que Espanha aceitava emitir, que se situava em 2,5 mil milhões de euros. A meta máxima para esta emissão era de 3,5 mil milhões de euros.

Três linhas de crédito com maiores custos de financiamento

Nos títulos de dívida com vencimento em 2015, os custos de financiamento saldaram-se numa taxa de 2,89% para emitir 1,127 mil milhões de euros. Na emissão a 15 de Março, o Tesouro espanhol tinha conseguido colocar dívida a 2,44%.

Mesmo com uma rendibilidade maior, o rácio de cobertura (bid-to-cover), que calcula o total de ofertas em relação ao montante colocado, foi de 2,41, ficando abaixo dos 4,96 registados na emissão comparável.

Já no que diz respeito às obrigações cuja maturidade é alcançada em 2016, o Tesouro espanhol aceitou financiar-se através de uma taxa de juro implícita média de 4,319%, o que compara com uma taxa de 3,376% no leilão de 1 de Março.

Neste caso, o rácio de cobertura é de 2,46 em relação a 2,59 do referido leilão. Espanha conseguiu, nesta linha de crédito, vender 972,59 milhões de euros.

Nas obrigações até 2020, a rendibilidade exigida pelos investidores fixou-se, em média, em 5,338%. No leilão de 15 de Setembro, o último comparável, o Tesouro espanhol tinha conseguido financiar-se com uma taxa de 5,156%.

Na referida maturidade, foram leiloadas obrigações num montante total de 489,05 milhões de euros. Esta foi a única linha de crédito em que o rácio de cobertura superou o anterior leilão. A procura para estas obrigações foi 2,963 vezes o montante vendido, quando o anterior bid-to-cover foi de 1,99.

Esta emissão acontece numa altura em que Espanha volta a estar no centro das atenções dos mercados, depois de Mariano Rajoy, no início de Março, ter desafiado as metas orçamentais de Bruxelas, nomeadamente no que se refere ao défice.

A semana passada, Madrid teve de apresentar um Orçamento do Estado que é considerado o mais rígido dos últimos 30 anos, com um plano de consolidação orçamental de 27 mil milhões de euros.

Ainda esta semana, o Citigroup afirmou que Espanha teria de pedir um resgate financeiro até ao final do ano.


(Notícia actualizada às 10h28)
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