Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Estará a crise política a inverter a descida dos juros de Portugal?

Portugal é hoje o único país da periferia do euro penalizado no mercado secundário de dívida. Juros sobem em todos os prazos, em contramão com a Europa.

  • Partilhar artigo
  • 56
  • ...
As taxas de juro (“yields”) associadas aos títulos de dívida pública portuguesa estão hoje a subir em todos os prazos, contrariando o movimento de descida, ainda que ligeira, que se observa nos demais países do euro, incluindo os periféricos que têm estado sob pressão dos mercados financeiros.

O agravamento dos indicadores que sinalizam as condições de financiamento do Estado português é mais acentuado nos prazos mais alongados: a seis anos, a “yield” sobe 44 pontos base para 8,04%; a dez, sobe 23 pontos para 8,66%. A dois anos, a subida é a menos expressiva: nove pontos base para 5,05%.

Já ontem os juros da dívida portuguesa haviam subido mas em linha com os demais países do euro.

Vários dirigentes políticos, economistas e analistas têm advertido para o risco de os investidores voltarem a olhar para Portugal com maior dose de desconfiança, em reacção aos sinais de tensão na coligação de governo e de erosão da base política de apoio ao programa de troika, agora que o PS reafirmou que votará contra o próximo Orçamento do Estado, com ou sem mexidas na Taxa Social Única.

A descida das taxas de juro da dívida portuguesa no mercado secundário, que se acentuou ao longo do Verão, tem sido interpretada como sinal de que os investidores estarão mais confiantes de que Portugal descolou da Grécia e será um caso bem sucedido de ajustamento na união monetária europeia, ao lado da Irlanda.

O facto de, na semana passada, a troika ter concedido mais um ano (2014) para o Governo colocar o défice abaixo do limite de 3% do PIB tão pouco teve repercussões nos indicadores do mercado de dívida, que assimilou bem a decisão.

A degradação das condições de estabilidade política poderá assim estar na base do agravamento dos indicadores de financiamento do Estado.

O Estado português regressa amanhã ao mercado de dívida primário, com um duplo leilão de bilhetes do Tesouro. A expectativa dos analistas é que a melhoria das condições nos mercados financeiros da Zona Euro, proporcionada pelo novo plano de intervenção do BCE, proporcione custos inferiores na emissão de até 1.750 milhões de euros em dívida a seis e a 18 meses. Isto apesar da subida dos juros no mercado secundário nos últimos dias.

O Estado suportou uma taxa a rondar os 4,5% em Abril, na primeira e última vez que se financiou através de BT a 18 meses. A julgar pela taxa de mercado secundário das Obrigações do Tesouro com maturidade próxima, o custo da emissão poderá ser entre 3,5% e 3,8%. No prazo a seis meses, o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) aceitou pagar uma taxa implícita de 2,3% no último leilão, em meados de Julho.
Ver comentários
Outras Notícias