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Estimativa: Inflação acelera 0,6% no mês de Abril

O IPC terá crescido 0,6% em Abril, com o vestuário e calçado, findo os saldos, a contribuírem com mais de metade para a aceleração dos preços, aliado à introdução das novas colecções, segundo os analistas contactados pelo Negocios.pt.

Negócios negocios@negocios.pt 13 de Maio de 2002 às 16:21
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O Índice de Preços no Consumidores (IPC) terá crescido 0,6% em Abril, com o vestuário e calçado, findo os saldos, a contribuírem com mais de metade para a aceleração dos preços, aliado à introdução das novas colecções, segundo as estimativas dos cinco analistas contactados pelo Negocios.pt.

O IPC, segundo as previsões dos analistas contactados pelo Negocios.pt, deverá registar uma variação mensal positiva entre os 0,5% e os 0,7%.

Em termos de variação dos preços face a Abril de 2001, quatro analistas apontam para um crescimento na ordem dos 3,3%, e um analista sugere uma subida de 3,4%. A inflação média, por unanimidade, deverá ser de 3,9%.

A Direcção Geral do Comércio e da Concorrência (DGCC) estima que as principais contribuições para a subida dos preços, se concentrem fundamentalmente em vestuário e calçado, «reflectindo o reposicionamento sazonal dos mesmos, findo o tradicional abaixamento aquando da época dos saldos do início do ano».

Segundo as estimativas da DGCC, os artigos de vestuário e calçado deverão ter crescido cerca de 5% no mês em análise, contribuindo com mais de metade para o crescimento de 0,6% no IPC estimado por esse organismo.

O Santander Central Hispano corrobora a visão do contributo da subida dos preços do vestuário e calçado, após o fim da época dos saldos, a qual, «deverá contribuir com 0,4% para a inflação mensal», que a instituição bancária estima em 0,6%.

Um analista do IMF–Informação de Mercados Financeiros, além da rubrica do calçado e vestuário, destaca a entrada das novas colecções, «que representam um contributo, em termos históricos, de 0,4%», visão partilhada pela analista do BPI que chama a atenção igualmente para o incremento nas rubricas da alimentação e bebidas não alcoólicas.

O SCH realça igualmente a contribuição do aumento de preços dos combustíveis, de 0,02 euros por litro, que se verificou no mês de Abril.

Retracção no consumo deverá diminuir impacto do IVA

No Conselho de Ministros (CM) extraordinário do passado dia 5 de Maio, o Governo reviu em alta as suas estimativas em termos de inflação para 2002, passando do intervalo de 2,5% a 3% para uma nova estimativa de 3,3% a 3,6%.

Segundo um documento na altura divulgado pelo CM, «a revisão em alta da taxa de inflação, em 2002, reflecte o impacto da subida da taxa máxima do IVA de 17% para 19%, e o comportamento dos preços dos bens não transaccionáveis».

O anúncio do Governo de que, após o Orçamento Rectificativo para 2002, prevê o aumento da taxa máxima de IVA em 2 pontos percentuais, a partir de Julho, produzirá efeitos na inflação na segunda metade do ano.

O SCH considera que esta medida fiscal terá um duplo efeito sobre a subida dos preços. Por um lado, a taxa normal do IVA abrange cerca de metade dos bens consumidos em Portugal e por outro, o espectro do aumento da inflação reforçará as pressões ao nível dos salários, estando o efeito final dependente do ajustamento a verificar no nível de consumo privado, que por sua vez estará dependente do nível de confiança das famílias.

De acordo com a analista do IMF, a alteração do quadro fiscal «terá um impacto reduzido a nível de inflação, já que se aguarda em virtude do aumento do IVA, uma retracção no nível do consumo». O IMF, depois de conhecida a decisão do Governo, reviu em baixa as estimativas para a inflação em 2002 dos anteriores 3,1% para os 3,3%, perto do limite superior traçado pelo novo governo.

Os dados do IPC difundidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) serão conhecidos na próxima quarta-feira.

Inflação
Inflação % Mensal Homóloga Média
SCH 0,6 3,3 3,9
DGCC 0,6 3,3 3,9
IMF 0,5 3,3 3,9
BCP 0,7 3,4 3,9
BPI 0,6 3,3 3,9
Média 0,6 3,32 3,9

Por Pedro Carvalho.

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