Mundo EUA estudam aplicação de tarifas sobre as importações chinesas no valor de 60 mil milhões

EUA estudam aplicação de tarifas sobre as importações chinesas no valor de 60 mil milhões

A administração Trump está a estudar a possibilidade de aplicar taxas aduaneiras sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos. A medida, se entrar em vigor, deverá afectar sobretudo o sector tecnológico e de telecomunicações. A China já respondeu.
EUA estudam aplicação de tarifas sobre as importações chinesas no valor de 60 mil milhões
Ana Laranjeiro 14 de março de 2018 às 09:39

Os Estados Unidos estão a preparar-se para aplicar tarifas sobre as importações chinesas, no valor de 60 mil milhões de dólares, devendo estas taxas incidir nomeadamente sobre o sector tecnológico e de telecomunicações, de acordo com duas pessoas que debateram o tema com a administração Trump, citadas pela Reuters. O presidente norteamericano estará também a ponderar impor limites ao investimento chinês nos EUA.

A aplicação destas taxas alfandegárias sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos deverá ser associada com a "Section 301" da investigação realizada no âmbito da propriedade intelectual, criada pelo U.S. Trade Act em 1974, de acordo com uma terceira fonte da agência de informação. 

Além disso, admitiu esta fonte da Reuters, apesar de os impostos deverem incidir sobretudo sobre produtos tecnológicos, electrónica de consumo e telecomunicações, a lista de produtos abrangidos pode ser mais ampla, incluindo eventualmente 100 bens.

A administração do presidente Trump deve assim colocar na sua mira as empresas tecnológicas chinesas com o objectivo de punir Pequim pelas suas políticas que obrigam as companhias norte-americanas a revelarem os seus segredos tecnológicos de forma a poderem operar em solo chinês, aponta a Reuters.

Uma eventual imposição de tarifas sobre a China, a segunda maior economia do mundo e um dos maiores credores dos Estados Unidos, não é uma questão totalmente nova. Já na semana passada, fontes da agência Bloomberg indicavam que a administração de Donald Trump estava a ponderar restringir os investimentos chineses em solo americano e impor taxas alfandegárias à importação de vários produtos oriundos daquele país.

A China, que tem um excedente comercial com os Estados Unidos no valor de 375 mil milhões de dólares, já respondeu. O porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o relacionamento comercial entre os dois países não deveria ser um jogo de soma zero e que os dois países deveriam utilizar meios "construtivos" para gerir a tensão.

"Dissemos muitas vezes que a China se opõe firmemente a qualquer tipo de medidas comerciais proteccionistas unilaterais", disse Lu Kan. "Se os Estados Unidos tomarem medidas que prejudiquem os interesses chineses, a China vai ter de tomar medidas para proteger firmemente os seus direitos legítimos", acrescentou.

Especialistas nas relações comerciais entre os EUA e a China alertam que, se Washington decidir efectivamente aplicar tarifas à China, Pequim vai "retaliar". "Se isto for a sério, os chineses vão retaliar. A questão fundamental é: irão os EUA retaliar contra a retaliação" chinesa?, disse Derek Scissors, especialista do American Enterprise Institute, à Reuters.

Esta possibilidade de os EUA aplicarem mais taxas aduaneiras sobre os bens provenientes da China e que entram em solo americano surge depois de na semana passada o presidente Donald Trump ter assinado o documento que determina a entrada em vigor das tarifas sobre as importações sobre aço e alumínio.

Além disso, surge depois de ontem Donald Trump ter anunciado a substituição de Rex Tillerson por Mike Pompeo no cargo de secretário de Estado norte-americano. O até agora director da CIA é visto como tendo uma postura mais radical no que respeita ao comércio, o que adensa, ainda mais, os receios em torno da guerra comercial.




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