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EUA e Europa aumentam pressão sobre Putin

Líderes europeus ameaçam impor mais sanções à Rússia, já na terça-feira, caso os separatistas pró-russos não garantam um acesso "livre e total" à zona da queda do avião da Malaysia Airlines.

Bloomberg
Negócios 20 de Julho de 2014 às 23:00
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A queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines na quinta-feira, alegadamente após ter sido atingido por um míssil que a comunidade internacional diz ter sido disparado pelos rebeldes pró-russos, está a provocar uma escalada da tensão entre o Ocidente e a Rússia.

David Cameron, François Hollande e Angela Merkel exigiram ao presidente russo, Vladimir Putin, que obtenha dos separatistas pró-russos um acesso "livre e total" à zona da queda do avião da Malaysia Airlines. Esta exigência surge numa altura em que, três dias após o acidente, os responsáveis da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) têm apenas "um acesso limitado" ao local onde estão os destroços.

"Acordámos exigir hoje a Putin que obtenha dos separatistas ucranianos um acesso livre e total dos socorristas e dos investigadores à zona da catástrofe do voo MH-17 para cumprirem a sua missão", disse o presidente francês em comunicado, após conversações telefónicas com Angela Merkel e David Cameron. "Se a Rússia não tomar as medidas necessárias imediatamente, serão tiradas consequências pela União Europeia por ocasião do Conselho de Negócios Estrangeiros", que decorre já esta terça-feira, alertaram os governantes através do comunicado do Eliseu. Na nota, os chefes de Estado consideram ainda que a Rússia "deve compreender que a resolução da crise ucraniana é agora mais do que nunca um imperativo, depois desta tragédia que abalou o mundo inteiro".

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Philip Hammond, foi ainda mais longe nas críticas a Putin, apelando que seja facultado o acesso ao local da queda do avião. "A Rússia arrisca tornar-se num Estado pária se não se comportar correctamente", disse o ministro britânico à Sky News.

Comportamento "grotesco"

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, assinalou este Domingo que é "claro" que o sistema de mísseis utilizado para abater o avião da Malaysian Airlines no leste da Ucrânia é proveniente da Rússia. Classificando o comportamento dos separatistas russos de "grotesco", Kerry prometeu a adopção de mais medidas contra Moscovo. "Homens bêbados estão a juntar corpos nos camiões, retirando-os do local da queda do avião", acusou o secretário de Estado, assinalando que "o que está a acontecer é contrário a tudo o que Putin disse que faria".

Notícias das agências internacionais dão conta que os separatistas pró-russo, além de limitarem o acesso dos peritos para investigarem a queda do avião, terão roubado dinheiro e cartões de crédito às vítimas do voo MH17.

 

 

Conflito na Ucrânia leva investidores para o ouro

A queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines trouxe de novo para a ribalta o conflito na Ucrânia. Os mercados financeiros sabiam que continuava a existir, mas só agora tiveram noção da sua gravidade.

Mal a Interfax começou a ser citada em todo o mundo, os investidores começaram a retrair-se. Dos dois lados do Atlântico, as bolsas fecharam maioritariamente em queda. O receio acabara de se agravar, com os mercados a temerem as repercussões. Nem todos os activos saíram penalizados. A característica de activo seguro levou o ouro a valorizar 1,54% na quinta-feira. Corrigiu em parte na última sessão, mas continua acima dos 1.300 dólares.

Também o petróleo disparou. O Brent e o WTI registaram a primeira semana de ganhos num mês. Além da tensão na Ucrânia, o conflito na Faixa de Gaza levou os investidores a temerem pela estabilidade no Médio Oriente, que conta com uma forte produção de petróleo. 

 

Queda do MH17 relacionada com a crise na Ucrânia? 

A queda do avião proveniente da Malásia pode até nem estar directamente relacionada com a guerra civil ucraniana. No entanto, dificilmente deixará de ter impacto nos desenvolvimentos da mesma nos próximos meses.

 

1.Como começou a crise na Ucrânia?

A queda do voo MH17 é apenas o mais recente e grave episódio relacionado com a crise no País. Os conflitos começaram no Inverno de 2013, quando manifestantes anti-Governo começaram uma série de protestos em reacção à recusa do presidente Viktor Yanukovych em aceitar uma maior aproximação à União Europeia (UE), preferindo aprofundar as relações com o Kremlin. Em poucos meses o País entrou em clima de guerra civil. O países ocidentais dando apoio a Kiev e Moscovo às populações da região Este da Ucrânia. Desde então, Yanukovych foi obrigado a fugir do País. Em Fevereiro, a Rússia invadiu e anexou a Crimeia e em Março os rebeldes separatistas pró-russos aumentaram a sua actividade no Este da Ucrânia, levando à degradação significativa das relações entre a Rússia e os Estados Unidos e a UE.

 

2.A queda do avião esteve relacionada com este clima de guerra civil?

Ainda existem muitas perguntas por responder - inclusivamente sobre que lado foi realmente responsável - e até poderá não ter sido um ataque intencional. De qualquer forma, o míssil foi disparado de uma zona onde os rebeldes estão especialmente activos.

 

3.Como é que este acontecimento vai afectar a crise na Ucrânia?

Apesar de podermos estar perante um acidente, numa região onde as tensões já estão tão fortes, as relações diplomáticas deverão ficar ainda mais frias entre a Rússia e os EUA/UE. Também ainda não se sabe se a queda do MH17 vai provocar um afastamento de Moscovo face aos rebeldes ou como é que a Europa e os EUA vão reagir, caso de prove que foram os separatistas a disparar sobre o avião. Nos Estados Unidos em especial, os republicanos têm pressionado Barack Obama a tomar posições mais duras em relação a Moscovo. Este episódio só lhes dará mais força política.

 

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