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Ex-chefe da Casa Militar sabia de Tancos. Marcelo garante que não

O Ministério Público concluiu que o ex-chefe da Casa Militar do Presidente da República, João Cordeiro, que abandonou o cargo no final de 2017, sabia do encobrimento no assalto de Tancos. Marcelo reitera que não soube de nada.

Foi uma das operações mais mediáticas porque estavam em causa questões de segurança de material militar e havia toda uma vertente política, que envolvia o próprio ministro da Defesa numa dimensão de responsabilidade política. O Ministério Público explicou que estavam em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional, e meteu mãos à obra, abrindo um processo para investigar o destino dado às armas desaparecidas e contando com a coadjuvação da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, com colaboração institucional da Polícia Judiciária Militar. O caso abalou o Exército e o próprio Governo e, surpreendentemente, as armas foram recuperadas na sequência de um telefonema anónimo: apareceram em Outubro num campo aberto a 21 quilómetros de onde tinha sido furtado três meses e meio antes. Faltavam munições de 9 mm, mas estavam a mais 200 petardos, de quem ninguém tinha dado falta. Houve baixas na hierarquia do exército e os autores do furto continuam por identificar.
José Neves
Negócios com Lusa 25 de Setembro de 2019 às 10:48
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O Ministério Público concluiu que o ex-chefe da Casa Militar do Presidente da República, João Cordeiro, que abandonou o cargo no final de 2017, sabia das negociações entre as chefias da polícia militar e os autores do assalto de Tancos, bem como da encenação da recuperação das armas, de acordo com o jornal i.

Em declarações citadas pela agência Lusa, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reiterou nunca ter sido informado sobre o alegado encobrimento, sublinhando que é bom "que fique claro" que "não é criminoso".

"Nem através do Governo, nem através de ninguém no Parlamento, nem através das chefias militares, nem através de quaisquer entidades de investigação criminal, civil ou militar, nem através de elementos da minha equipa, da Casa Civil ou da Casa Militar, nem através de terceiros, não tive" conhecimento, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, esta terça-feira, à margem da Assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O Presidente, que é também Comandante Supremo das Forças Armadas, disse que soube que "a defesa de um dos implicados fez questão de afirmar expressamente que não envolvia o Presidente da República". "Espero que seja a última vez que falo sobre a matéria, até porque se aguarda a todo o momento a acusação, no caso de ela existir, e o que haja a investigar contra quem quer que seja, sem qualquer limitação, seja investigado", afirmou.

A conclusão do Ministério Público baseia-se, segundo o jornal "i", nos telefonemas e SMS trocados entre o antigo chefe da Casa Militar, coronel João Cordeiro, e o diretor-geral da PJ Militar, Luís Vieira, que de acordo com o jornal provam que o ex-chefe da Casa militar estava consciente de que a PJM atuou nas costas da Polícia Judiciária, desobedecendo à ordem a procuradora-geral da República.

No entanto, o caso foi arquivado porque os emails e SMS só são admissíveis como prova para crimes puníveis com penas superiores a três anos, o que não é o caso.

A TVI noticiou esta terça-feira que o major da Polícia Judiciária Militar, Vasco Brazão se referiu, numa escuta telefónica, ao Presidente da República, como o "papagaio-mor do reino", que, segundo ele, sabia de tudo.

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