Política Ex-dirigente do PSD acusa Marco António Costa de montar “rede de interesses”

Ex-dirigente do PSD acusa Marco António Costa de montar “rede de interesses”

Paulo Vieira da Silva enviou uma denúncia para a Procuradoria-Geral da República, DCIAP e PJ em que acusa Marco António Costa de ter montado uma “rede” e de ter enxameado empresas públicas de Gaia com “boys” seus amigos. PGR está a analisar. O visado vai recorrer aos tribunais.
Ex-dirigente do PSD acusa Marco António Costa de montar “rede de interesses”
Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões 24 de abril de 2015 às 19:39

"Marco António Costa, durante a meia dúzia de anos que esteve em Gaia, colonizou a Câmara e as Empresas de Municipais de Gaia, com ‘amigos e boys’ para ‘alimentar’ alguns e para ‘pagar favores’ a outros". Esta é uma das acusações que Paulo Vieira da Silva, ex-conselheiro nacional do PSD e membro da distrital do PSD do Porto, lançou a Marco António Costa, ex-secretário de Estado e actual porta-voz do PSD. A denúncia foi feita no Facebook e enviada para a Procuradoria-Geral da República, DCIAP e PJ.

 

A PGR confirma que recebeu a denúncia e diz que a vai analisar. "A referida comunicação deu entrada hoje na Procuradoria-Geral da República", sublinha fonte oficial. "A mesma será objecto de análise, com vista à ponderação dos procedimentos adequados".

 

O objectivo de Paulo Vieira da Silva, que é hoje empresário, é "contribuir para a moralização da vida pública" e, noutro plano, evitar que Marco António Costa chegue a líder do PSD, explicou o próprio ao Negócios. "Não quero fazer parte de um partido liderado pelo dr. Marco António Costa", sustenta.

 

O ex-dirigente do PSD, que agora está ligado a empresas do sector da contabilidade e auditoria, recorre a uma analogia futebolística para explicar os seus receios. "No FC Porto qualquer treinador arrisca-se a ser campeão. Quem é presidente do PSD arrisca-se a ser primeiro-ministro. E eu não queria uma pessoa como ele a governar o meu país", justifica.

 

O Negócios tentou contactar Marco António Costa, sem sucesso. A assessoria de imprensa do PSD explica que o porta-voz vai recorrer à justiça. "O assunto foi encaminhado pelo Gabinete do Vice-Presidente, Dr. Marco António Costa, para participação criminal", afirma a referida fonte.

 

Uma "rede de interesses", a "colonização" de empresas e os "seus homens de mão"

 

Na denúncia enviada ao Ministério Público e à PJ, Paulo Vieira da Silva acusa Marco António de uma série de irregularidades, ainda desde os tempos em que este estava na câmara de Valongo – começou como adjunto do presidente em 1994. Viria em 1997 a ser vereador e posteriormente vice-presidente desta autarquia da zona do Porto. "Nesses anos a construção civil floresceu em Valongo. Foram construídos milhares de apartamentos, em diversas torres que são visíveis da A4, mas também foi feita muita habitação social no concelho", conta Paulo Vieira da Silva.

 

"Nessa altura era notória a sua ligação [de Marco António] muito próxima a uma ou duas empresas que construíram, em Valongo, centenas e centenas de apartamentos no âmbito privado, bem como na área da habitação social e a custos controlados". Nessa altura, Marco António passa de um "modesto Citroën comercial de dois lugares" para "carros topo de gama". E "rapidamente mudou-se de um andar numa moradia muito humilde e antiga para uma grande e luxuosa moradia", acusa.

 

Nessa altura, acusa o empresário, Marco António "começa devagarinho a ‘fazer a cama’ a Luís Filipe Menezes" na Distrital do PSD do Porto. Menezes acaba por ser afastado e é aí que Paulo Vieira da Silva é convidado por Marco António para integrar a lista da Comissão Política Distrital. Abandona o cargo em 2006, e convida o agora denunciante a integrar a lista do seu sucessor, "Agostinho Branquinho, um dos ‘seus homens de mão’ (SHM), a quem, curiosamente, também passou o testemunho quando, em 2012, deixa a Secretaria de Estado da Segurança Social".

 

Ainda em 2005, quando Menezes convidou Marco António para seu vice-presidente, terá começado a colonização das empresas municipais. "Recordo-me que pela mão de Marco António entraram pessoas, para sectores estratégicos, como o Eng. Pérpetua, para Director Municipal do Urbanismo, como Virgílio Macedo, que ora ocupou funções de Tesoureiro, ora da de Presidente da Distrital do Porto, para Revisor Oficial de Contas da Câmara de Gaia e de empresas municipais, como Miguel Santos, para a Administração da Amigaia", acrescenta Vieira da Silva.

 

Foi com Marco António Costa como vereador das Finanças de Gaia "que a dívida da autarquia mais cresceu, responsabilidade provavelmente da sua má gestão, bem como das muitas largas dezenas de ‘contratações políticas’ que fez, pagas a peso de ouro, que visavam a concretização da sua ambição pessoal de chegar à liderança do PSD".

 

Virgílio Macedo preside actualmente à distrital do PSD do Porto e é vice-presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento. Miguel Santos é deputado do PSD.

 

A "’colonização’ que Marco António estava a levar a cabo na câmara de Gaia e nas Empresas Municipais chegou a tomar tamanhas proporções que obrigou Luís Filipe Menezes a emitir uma ordem de serviço sublinhando que qualquer contratação para a autarquia ou para qualquer empresa municipal tinha que ter a autorização expressa do Presidente da Câmara Municipal", afirma Paulo Vieira da Silva.

 

Distrital do Porto é a "quinta" de MAC

 

Vieira da Silva garante que Marco António esperava ser ministro de Passos Coelho, porém este atribui-lhe "muito a contragosto, apenas a Secretaria de Estado da Segurança, a última da hierarquia do Governo". "Não gostou e até amuou, mas Marco António não teve outra solução que não aceitar em nome da sua sobrevivência política", sublinha o denunciante. Nessa altura, ainda com Menezes à frente da câmara de Gaia, "aquele que se julgava já o ‘DDT de Gaia’ tinha perdido muito poder porque Menezes tinha assumido novamente pelouros importantes".

 

Ao Negócios, Vieira da Silva explica que Marco António Costa não foi candidato ao lugar de Menezes, que ficou vago em 2013 devido à limitação de mandatos, porque "ele gosta é de ser eleito à boleia dos outros. É um oportunista" e "sabia que o ambiente em Gaia era terrível para ele".

 

Voltando ao texto, lê-se que Marco António Costa, "entre 2002 e até hoje, no que diz respeito à distrital do PSD do Porto, tem entrado e saído da liderança, conforme lhe é mais conveniente, deixando nos intervalos entre as suas saídas e entradas, na liderança, os ‘SHM’ como são Agostinho Branquinho e Virgílio Macedo". "Aliás, Marco António Costa faz da Distrital do PSD a ‘sua Quinta’, utilizando-a a seu belo prazer como uma importante plataforma de gestão política e de ‘interesses’".

 

Passos Coelho é que já terá percebido, assegura Vieira da Silva. "Passos Coelho, de forma inteligente, logo que pode retirou-o do Governo, engavetando-o no partido e atribuindo-lhe uma função com um nome pomposo, como ele gosta de sublinhar e anunciar ‘vice-presidente coordenador’".

 

Ao Negócios, Vieira da Silva acrescenta: "Passos Coelho tem-no lá porque tem de ser. Mas lá pode controlá-lo".




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