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Ex-funcionários de agências de "rating" queixam-se de pressões para "dourar" avaliações

A comissão norte-americana de inquérito à crise financeira ouviu hoje vários ex-funcionários de agências de rating queixarem-se de terem sofrido pressões do empregador para "dourar" a classificação de alguns produtos financeiros.

Lusa 03 de Junho de 2010 às 09:13
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A comissão norte-americana de inquérito à crise financeira ouviu hoje vários ex-funcionários de agências de rating queixarem-se de terem sofrido pressões do empregador para "dourar" a classificação de alguns produtos financeiros.

No caso de Eric Kolchinsky, que dirigiu a unidade da agência Moody´s, que classificava obrigações estruturadas no mercado imobiliário de alto risco ("subprime"), a pressão resultava do facto de a sua carreira na empresa e de o seu salário dependerem da quota de mercado.

Actualmente, uma agência é paga directamente pelos emissores de títulos financeiros, que podem optar pela concorrente, se esta oferecer melhor classificação.

Um antigo vice-presidente da mesma agência, Mark Froeba, referiu vários casos de intimidação e mesmo de substituição de analistas por insatisfação dos banqueiros clientes dos ratings.

O resultado foi a criação de "uma população dócil de analistas com medo de perturbarem os banqueiros de investimento", disse Froeba.

Um ex-diretor da Moody´s, Gary Witt, questionou a capacidade de a agência assegurar a correcção dos seus ratings antes da crise de 2008, enquanto o ex-presidente Brian Clarkson afirmou que a integridade dos analistas da agência era "inquestionável" e sugeriu que a comissão se debruçasse sobre o papel dos corretores e subscritores dos produtos financeiros em causa.

A audição de hoje surge numa altura em que em Washington se prepara a versão final da nova legislação do sector financeiro, que vai alterar o modelo de negócio das agências de rating como a Moody´s, Standard&Poor´s ou Fitch, que muitos observadores consideram de dependência face aos seus clientes.

O testemunho mais aguardado do dia era provavelmente o do decano investidor Warren Buffett, presidente da firma de investimento Berkshire Hathaway, que ainda é dos principais accionistas da Moody´s, apesar de ter vindo a reduzir a sua participação.

Antes de ser ouvido, o investidor conhecido como "oráculo de Omaha" pelos seus palpites certeiros, deu várias entrevistas às principais cadeias de televisão norte-americanas, em que se distanciou das agências afirmando que deixaram de ser um investimento atraente, mas também defendeu a sua actuação antes da crise financeira.

As classificações máximas (AAA) atribuídas a títulos estruturados no mercado "subprime", que foram rapidamente reavaliados como "junk" ("lixo") após o eclodir da crise, resultaram da euforia no mercado imobiliário, disse Buffett.

O esquema de pagamento das agências é "odioso", afirmou, mas não há nenhum melhor em vista. "Não digo que este seja o modelo perfeito. Digo apenas que é difícil pensar numa alternativa em que sejam os utilizadores a pagar. Eu não vou pagar", adiantou.

Quanto à alternativa em cima da mesa - um modelo de selecção aleatória da agência que vai classificar determinado produto -, Buffett mostrou-se céptico.

Juntamente com Buffett testemunhou o presidente da Moody´s, Raymond McDaniel, também defensor do actual modelo de remuneração. "Acreditámos que os ratings eram a nossa melhor opinião na altura que os atribuímos", afirmou.

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