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Excedente externo baixa 16% apesar de melhoria nas exportações e turismo

O aumento dos rendimentos de estrangeiros e a redução dos fundos europeus foi determinante para a descida do excedente externo.

Pedro Zenkl/Correio da Manhã
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 21 de Dezembro de 2016 às 12:47
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O saldo conjunto das balanças corrente e de capital atingiu 2.282 milhões de euros nos primeiros 10 meses deste ano, o que traduz uma descida face aos 2.707 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado.

 

De acordo com o Banco de Portugal, que divulgou os dados da balança de pagamentos esta quarta-feira, 21 de Dezembro, a redução do excedente externo em 16% traduz a deterioração das balanças de rendimentos primário e secundário e da balança de capital.

 

A balança de rendimento primário agravou o défice em 14%, para 3.764 milhões de euros, devido sobretudo ao aumento dos rendimentos atribuídos a não residentes. O excedente da balança de rendimento secundário baixou para quase metade (616 milhões de euros).

 

Já a balança de capital baixou o excedente em 25% para 1.250 milhões de euros, o que o Banco de Portugal explica com a "redução dos fundos provenientes da União Europeia".

 

Exportações e turismo em alta

 

Todos estes efeitos negativos na balança de pagamentos portuguesa mais do que anularam as evoluções positivas registadas noutros segmentos, com destaque para as exportações e o turismo.

 

A balança de bens e serviços apurou um excedente de 4.179 milhões de euros nos primeiros 10 meses do ano, o que representa um aumento de 942 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado.

 

Para esta evolução contribuiu a melhoria no comércio de bens com o exterior (o défice baixou para 7.052 milhões de euros), bem como nos serviços (o excedente subiu para 11.231 milhões de euros).

 

O Banco de Portugal assinala que a melhoria na balança de bens e serviços ficou a dever-se à queda das importações em 1,1% (descida de 1,5% nos bens e 0,7% nos serviços) e ao aumento das exportações em 0,5% (queda de 1% nos bens e 3,2% nos serviços).

 

Também o turismo volta a destacar-se pela positiva, com a rubrica "Viagens e turismo" a apresentar um saldo positivo de 7.763 milhões de euros, uma subida de 12% face ao mesmo período do ano passado.

Numa nota enviada à imprensa a assinalar estes números do Banco de Portugal sobre o sector do turismo, o Ministério da Economia destaca que as receitas turísticas em Portugal aumentaram 10,3% para 11 mil milhões de euros.

 

"Os dados hoje divulgados confirmam ainda que os turistas estrangeiros estão a gastar cada vez mais em Portugal. Nos dez primeiros meses de 2016 os turistas deixaram diariamente em Portugal 36 milhões de euros, o que representa mais quatro milhões de euros dos gastos diários de igual período do ano passado", refere a nota. 

 

A secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, afirma que este crescimento "resulta da forte aposta realizada na captação de novas rotas aéreas e operações turísticas ao longo do ano e no aumento atractividade do destino Portugal".


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