Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Famílias das ilhas, Centro e Alentejo poupam mais do que as de Lisboa

O estudo "A Poupança em Portugal", elaborado pelo Núcleo de Investigação Políticas Económicas da Universidade do Minho e coordenado pelo professor Fernando Alexandre, analisou os factores que determinam a poupança.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 13:18
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
O estudo está a ser apresentado hoje de manhã numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), em Lisboa. Neste estudo, foram definidos padrões de poupança das famílias.

No caso das famílias com poupança positiva, foram utilizadas variáveis como o rendimento total do agregado familiar, a percentagem de elementos do agregado que trabalham, se existe um cônjuge , se há filhos, se o agregado inclui ascendentes, o número de elementos do agregado, indicadores dos pesos dos componentes da despesa e a residência, o sexo, o grupo etário, o seu nível de escolaridade e a posição face ao mercado de trabalho.

Numa análise por região, “observamos que as famílias residentes nas ilhas, na região Centro e no Alentejo poupam mais cerca de 13%, 8,4% e 10%, respectivamente, do que as famílias residentes em Lisboa”, refere o estudo.

Por outro lado, conclui-se que “existe um efeito positivo, mas decrescente, de variações do rendimento sobre a poupança”, ou seja, um aumento de 1.000 euros no rendimento da família está associado a um aumento da poupança de 5%.

Apesar de destacar que o papel da literacia financeira no comportamento de poupança das famílias tem vindo a ganhar relevo, o estudo sublinha que a sua análise “não detecta uma relação clara entre a escolaridade e a poupança”.

Isto porque, em comparação com os indivíduos que possuem o ensino básico, aqueles que não possuem qualquer nível de instrução poupam, em média, menos cerca de 12,6%. Já os indivíduos com o ensino secundário poupam mais 9,6%.

“De facto, não há uma diferença estatística no perfil de poupança entre os indivíduos com quatro anos de escolaridade e aqueles que completaram os segundo e terceiro ciclos do ensino básico, e mesmo em relação àqueles que possuem formação superior”, frisa o estudo.

Ainda que os indivíduos com situações laborais mais precárias devessem ser aqueles com níveis de poupança mais elevados, este estudo não permite retirar conclusões claras a este respeito.

Os trabalhadores por conta própria com trabalhadores a seu cargo poupam, em média, menos cerca de 26% do que os trabalhadores por conta de outrem, enquanto os trabalhadores por conta própria isolados poupam menos 8,5%.

Já os reformados, poupam mais cerca de 20% do que os trabalhadores por conta de outrem. “Um dos efeitos dos cortes anunciados dos 13º e 14º meses das pensões, a partir de 2012, poderá ser uma diminuição da poupança privada”, refere o estudo.

Outras das conclusões desta análise são que ter filhos não afecta os perfis de poupança e que a existência de ascendentes no agregado está associada a um aumento de 13% na poupança.

Famílias com representantes entre os 45 e os 75 anos têm maior probabilidade de poupança negativa

Quanto à poupança negativa, que abrange cerca de 30% das famílias portuguesas, aquelas representadas na resposta ao inquérito por indivíduos com idade entre os 45 e os 75 anos são as que apresentam a maior probabilidade de ter poupança negativa.

Quanto ao rendimento, um aumento de 1.000 euros representa uma quebra de 2,6 pontos percentuais na probabilidade de um agregado apresentar uma poupança negativa.

Por outro lado, a probabilidade de observar uma família com poupança negativa cresce com a escolaridade. Ou seja, em comparação com uma família base cujo representante tem quatro anos de escolaridade, a probabilidade de uma família base cujo representante tem um grau do ensino superior ter uma poupança negativa é superior em 16,5 pontos percentuais.

Uma das possíveis explicações para estas circunstâncias prende-se com o facto de o acesso ao crédito ser mais fácil para os indivíduos com grau de escolaridade superior.

Relativamente à situação no mercado de trabalho, a probabilidade de um trabalhador por conta de outrem apresentar uma poupança negativa é inferior em 15,1 pontos percentuais a um trabalhador por conta própria com trabalhadores a seu cargo. Já aqueles que não têm trabalhadores a seu cargo têm uma probabilidade inferior em 5,5 pontos percentuais.

No caso dos desempregados, a probabilidade de terem poupança negativa eleva-se em 11,8 pontos percentuais, enquanto para os reformados aumenta em 14,8 pontos percentuais.

“Se a percentagem de elementos da família que trabalham aumentar 33 pontos percentuais, a probabilidade de a família incorrer em poupança negativa diminui em 4,2 pontos percentuais”, refere o estudo.

Por cada elemento adicional no agregado, esta probabilidade sobe em 6,4 pontos percentuais. Por regiões, a probabilidade de a família base ter poupanças negativas é mais elevada no Algarve e em Lisboa.

Ver comentários
Saber mais estudo APS poupança
Mais lidas
Outras Notícias