Economia Farmácias suspendem comparticipação de medicamentos na Madeira por dívida de 85 milhões

Farmácias suspendem comparticipação de medicamentos na Madeira por dívida de 85 milhões

Falta de pagamento de uma dívida do Governo Regional é justificação para o fim da comparticipação. João Jardim classificou atitude de "chantagem", depois de Executivo regional ter falhado compromisso de pagamento em Fevereiro e em Março.
Diogo Cavaleiro 06 de abril de 2011 às 15:34
As farmácias da Região Autónoma da Madeira vão deixar de comparticipar os medicamentos aos utentes "por razões de sobrevivência".

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) anunciou que a suspensão da comparticipação dos medicamentos no arquipélago se deve à ausência de pagamento de uma dívida de 85 milhões de euros por parte do Governo Regional.

De acordo com um comunicado da ANF, "não há, na conjuntura actual, condições de continuar a financiar uma dívida tão elevada e que cresce mais de 3 milhões de euros por mês, sem ter um compromisso firme do Governo Regional de que essa dívida será paga e o prazo desse pagamento".

A verdade é que, segundo o mesmo comunicado, o Governo Regional tinha acordado em Fevereiro que a dívida seria liquidada gradualmente ao longo de oito anos. No entanto, refere que o Executivo já falhou o pagamento tanto em Fevereiro como em Março.

As farmácias têm estado, através de financiamento bancário, a pagar as comparticipações em vez do Executivo regional. Contudo, a ANF escreve que tal situação "deixou de ser possível pelas restrições ao financiamento bancário". Ontem, decidiram, por unanimidade, deixar de continuar a financiar as comparticipações.

Refere a associação que tentou ainda constituir um sindicato bancário que assumisse aquela dívida mas que o mesmo foi negado por todos os bancos contactados, à excepção da Caixa Geral de Depósitos. Segundo o "Público", o banco do Estado financiou 36 milhões de euros, a somar aos 85 milhões de euros de dívida.

De acordo com o "Diário de Notícias da Madeira", Alberto João Jardim referiu que o secretário das Finanças era o responsável pelo dossier, mas adiantou ainda que o Governo não cede a chantagem, chantagem essa que, defendeu, terá uma resposta dura.

A consequência, para já, é que a partir de 1 de Maio, "os beneficiários pagarão integralmente na farmácia o preço dos medicamentos", como evidencia o comunicado da ANF.



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