União Europeia Faz 30 anos que Portugal se tornou mais europeu

Faz 30 anos que Portugal se tornou mais europeu

Foi em 1 de Janeiro de 1986 que Portugal, a par de Espanha, aderiu à então CEE. Leia a opinião de alguns dos protagonistas. E veja um vídeo e um conjunto de cartoons que resumem um pouco do que foram estas três décadas.
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Eva Gaspar 01 de janeiro de 2016 às 11:00

Faz hoje trinta anos, tantos quantos conta Cristiano Ronaldo, que a "jangada de pedra" se amarrou mais forte ao resto do continente. Em 1 de Janeiro de 1986, Portugal entrava, ao lado de Espanha, nas Comunidades Europeias, quase dez anos depois de ter entregue formalmente o pedido de adesão.

 

Começava aí o "sonho europeu" embalado por uma trilha sonora feita de acasos e equívocos. Muito mudou desde que Portugal aderiu à então CEE, mas palavras como Grécia, crise, austeridade, pobreza e dívidas enchem os jornais de hoje – tal como então.

 

Ansiava-se por uma "via verde" rumo ao desenvolvimento, mas "esta visão rósea cedo começou a desfazer-se", em boa medida devido a culpas internas, disse em Julho ao Negócios, por ocasião dos 30 anos da assinatura do Tratado de adesão, quem três décadas depois voltou a ser ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. "A má governação não permitiu aproveitar as potencialidades da Europa", sentenceia Rui Machete. Ainda assim, não tem, porém, dúvidas de que a opção foi a acertada: a União Europeia era – e é – a melhor garantia de segurança e estabilidade dos seus países e povos.

 

Mais optimista, Cavaco Silva considera que o país respondeu bem aos desafios da adesão, "um dos marcos mais relevantes da História de Portugal no século XX". "Ao longo destas três décadas de participação no projecto europeu, Portugal assumiu plenamente o seu papel enquanto parceiro responsável, activo e até decisivo em certos momentos. Estivemos à altura, superámos muitas dificuldades e desafios, transformámo-nos estruturalmente e desenvolvemo-nos económica e socialmente", escreveu o Presidente da República numa carta recentemente enviada aos líderes das principais instituições europeias.

 

Já Mário Soares, à época primeiro-ministro, faz um balanço muito crítico, sobretudo do actual estado da União Europeia, mas continua a defender sem hesitações a opção que tomou em 1977, ano em que entregou o pedido de adesão. "Os motivos que estiveram na origem da decisão de aderir à CEE, e que alguns portugueses na altura contestaram mas que os partidos maioritários na Assembleia da República apoiaram, não foram, ao contrário de que alguns julgam, essencialmente económicos, mas sim políticos e sociais, relacionados com um grande desígnio para Portugal: a consolidação da democracia pluralista, social e civil. Mas também o reconhecimento de que o ciclo colonial terminara com a descolonização e a independência dos países antes colonizados. Para benefício de todos", escreveu neste Verão na revista Visão.

 

"Logo, no período pré-adesão à UE, em Portugal, e até 1985, a clivagem pró e anti-Europa coincidiu completamente, ao nível dos partidos, com a clivagem pró e antidemocracia pluralista. (…) Desde a adesão é um tema que tem sido por vezes politizado numa estratégia de oposição ao partido de governo para maximizar os votos, e outras vezes marginalizado quando esses mesmos partidos pretendem formar governo", analisava, ainda em 2006, a politóloga Marina Costa Lobo.

A posição do BE e do PCP, agora partidos determinantes para a viabilidade do governo PS, continua a ser desfavorável à integração europeia, mas, como Costa Lobo antecipava, a temática agora tende a ser marginalizada. Em Julho, porém, por ocasião do 30.º aniversário da assinatura do Tratado de adesão, o PCP voltou a expor abertamente as suas divergências, considerando que "não é um acaso que PS, PSD e CDS se tenham unido em defesa da CEE, da União Europeia e dos seus pilares neoliberal, federalista e militarista", concluindo que "se há balanço certo e certeiro destes 30 anos esse é o de que a política de direita, na sua vertente interna e externa, não serve os interesses dos trabalhadores e do povo".




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