Política Monetária Fed corta juros e Powell admite ir mais longe

Fed corta juros e Powell admite ir mais longe

A Reserva Federal norte-americana anunciou uma descida de 25 pontos base da sua taxa diretora, como se previa, que ficou agora compreendida entre 1,75% e 2%.
Fed corta juros e Powell admite ir mais longe
Reuters
Carla Pedro 18 de setembro de 2019 às 19:00

Sem supresas, o banco central norte-americano decidiu-se por um corte de 25 pontos base da taxa dos fundos federais, para um intervalo entre 1,75% e 2%.

Além disso, anunciou também uma redução, de 30 pontos base, da taxa "overnight reverse repos", para 1,7% - ou seja, a taxa de juro do "overnight reverse repurchase agreement" (ON RRP), um acordo entre a Reserva Federal (Fed) e as instituições financeiras não bancárias através do qual estas recebem uma indemnização pelo empréstimo dos seus fundos à Fed num dia.

O presidente da Fed, Jerome Powell, falou entretanto e disse que "se a economia enfraquecer, poderão ser necessários cortes mais profundos". Foi o suficiente para animar as bolsas.

Os principais índices de Wall Street estavam a cair - com o Nasdaq a ceder mais de 1% e o S&P 500 perto de chegar a esse patamar de perdas, dado que a dimensão do corte decepcionou -, mas recuperaram de imediato parte das descidas assim que Powell falou.

Jerome Powell prometeu que a Reserva Federal se manterá vigilante e que atuará no sentido de contrariar qualquer desaceleração económica no país.

No seu comunicado, os responsáveis do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla original), sublinham que continuarão a monitorizar as implicações da informação que for divulgada relativamente ao panorama económico do país e que a Fed atuará de forma apropriada no sentido de sustentar a expansão, com um sólido mercado de trabalho e a taxa de inflação perto da meta de 2% definida pelo banco central.

"Apesar de os gastos das famílias estarem a crescer a um ritmo robusto, o investimento fixo das empresas e as exportações ficaram mais débeis", realça o FOMC no mesmo documento.

O FOMC também divulgou as suas estimativas para o último trimestre de 2019, tendo projetado que a taxa de desemprego termine o ano nos 3,7%, mais um décimo do que em junho, e que termine 2020 no mesmo nível.

Quanto à inflação, os responsáveis da Fed continuam a considerar que esta não atingirá a meta dos 2% até 2021.

 
Ciclo de subidas está a ficar para trás

Jerome Powell tinha declarado que o corte de 25 pontos base da taxa dos fundos federais anunciado em julho – o primeiro em mais de 10 anos – não seria o início de um longo ciclo de descidas. Mas agora voltou a descer os juros diretores e muitos analistas apontam para que possa fazê-lo de novo na reunião de política monetária de outubro ou de meados de dezembro.

Com esta nova redução da taxa diretora, parece ter ficado para trás o ciclo de normalização iniciado há perto de quatro anos.

 

Depois de cerca de sete anos sem mexer nos juros (tinha-os cortado em dezembro de 2008), que se mantiveram em mínimos históricos entre 0% e 0,25%, a Reserva Federal elevou nove vezes os juros entre finais de 2015 e dezembro de 2018.

 

A Fed procedeu ao primeiro aumento (de 25 pontos base) em dezembro de 2015 e posteriormente voltou a incrementar em 25 pontos base a taxa diretora em dezembro de 2016. Seguiram-se mais três subidas de 25 pontos base em 2017 e mais quatro aumentos em 2018.

 

Em julho deste ano procedeu então ao primeiro corte desde dezembro de 2008. Ou seja, 10 anos e meio depois, regressou a uma política de estímulos à economia, num momento de desaceleração – o que, ainda assim, continua a "saber a pouco" ao presidente norte-americano, com Donald Trump a insistir em cortes mais profundos para se baixar os juros diretores diretamente para os 0%.

E Trump já reagiu a esta decisão do banco central, e com o desagrado que se esperava, tendo afirmado que a Fed "não tem coragem".

(Notícia atualizada pela última vez às 20:16)




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