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Fed deixa juros inalterados na última reunião do ano após três descidas em 2019

A Reserva Federal norte-americana decidiu manter os juros na última reunião de 2019, ano que ficou marcado pelas primeiras descidas dos juros desde a crise financeira.

EPA
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 11 de Dezembro de 2019 às 19:00
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Sem surpresas, a Reserva Federal norte-americana decidiu manter os juros diretores no intervalo entre 1,5% e 1,75%, patamar que tinha sido atingido em outubro com o terceiro corte de juros consecutivo. Esta era a decisão esperada pelos mercados.

Numa das últimas intervenções públicas, no final de novembro, o presidente da Fed, Jerome Powell, tinha dito que vê o "copo mais do que meio cheio" quando olha para a economia norte-americana, reforçando a ideia de que os juros diretores vão ficar inalterados por algum tempo.

Os sinais dados no comunicado do comité de política monetária (FOMC) são claros na confirmação desse cenário. Desde logo, a Fed deixa cair a palavra "incertezas" quando se refere às perspetivas sobre o futuro face aos comunicados anteriores. Além disso, o quadro 'dot plot' (onde estão as previsões dos membros para as mexidas dos juros) apontam maioritariamente para a manutenção dos juros durante o próximo ano. 

"O comité considera que a atual posição da política monetária é a apropriada para ajudar a sustentar a expansão da atividade económica, as condições fortes do mercado de trabalho e a aproximação da inflação do objetivo simétrico de 2%", lê-se no texto divulgado esta quarta-feira, 11 de dezembro, após a reunião de dois dias.

A Fed continua a referir que irá monitorizar as consequências dos dados económicos que venham a ser divulgados, em especial face à economia mundial e às pressões inflacionistas "silenciadas". A manutenção dos juros teve o apoio de todos os membros do comité com poder de voto, o que acontece pela primeira vez desde maio. 

A estimativa média dos membros do comité aponta para os juros diretores nos 1,6% no final de 2020, 1,9% em 2021 e 2,1% em 2022. Entre os 17 membros, 13 consideram que os juros vão manter-se no mesmo nível durante o próximo ano, sendo que apenas quatro antecipam uma subida como apropriada em 2020. 

A confirmarem-se estas previsões dos membros do comité, os juros diretores vão ficar inalterados durante o ano eleitoral, dado que em novembro de 2020 se realizam as eleições presidenciais. Porém, no início do mandato do próximo presidente é expectável que haja subidas dos juros.  

Fed mantém previsão para PIB e inflação 

Quanto às projeções económicas, também aqui não há mudanças drásticas. A Fed prevê que a taxa de desemprego se mantenha nos 3,5% até ao final do próximo ano, baixando a previsão da taxa de desemprego de longo prazo (natural) para os 4,1%, menos do que os 4,2% estimados em setembro. 

Já o PIB deverá crescer 2% no próximo ano, travando para 1,9% em 2021, tal como nas previsões de setembro. O mesmo para a inflação, que deverá atingir a meta de 2% em 2021.

A Reserva Federal conta com o consumo privado para manter a expansão económica que já dura há 11 anos consecutivos. Com o mercado de trabalho a melhorar, tal como mostraram os últimos dados sobre o emprego em novembro, é expectável que a pressão para os salários subir pressione mais os preços nos próximos anos.

Caso se confirme esta trajetória dos indicadores económicos, a Fed consegue atingir o seu duplo mandato de estabilidade dos preços, através de uma inflação de 2%, e pleno emprego. 

(Notícia atualizada às 19h28)
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