Política Monetária Fed inicia compra de ativos com 60 mil milhões de dólares por mês

Fed inicia compra de ativos com 60 mil milhões de dólares por mês

O presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, declarou nesta terça-feira que o banco central iria retomar a compra de títulos do Tesouro, mas que não era um regresso do QE. Hoje, avançou com mais pormenores.
Fed inicia compra de ativos com 60 mil milhões de dólares por mês
Reuters
Carla Pedro 11 de outubro de 2019 às 16:33

A Fed anunciou que vai começar a comprar o equivalente a 60 mil milhões de dólares de bilhetes do Tesouro, mensalmente, para melhorar o seu controlo da taxa de juro que usa para orientar a política monetária após a agitação de setembro nos mercados.

 

O presidente do banco central dos EUA tinha já dito na terça-feira, 8 de outubro, que a Fed iria retomar a compra de títulos do Tesouro, num esforço para evitar uma repetição da recente turbulência nos mercados monetários.

 

"Eu e os meus colegas anunciaremos em breve medidas para aumentarmos as reservas [do banco central] ao longo do tempo", disse Powell num discurso perante a National Association of Business Economics, em Denver, citado pela Bloomberg.

 

Powell frisou que a compra de ativos se limitaria a bilhetes do Tesouro, sublinhando que esta medida não deveria ser vista como um regresso aos programas de flexibilização quantitativa (quantitative easing – QE) dos tempos da crise financeira de 2008 – e que durou cerca de uma década com o intuito de estimular a economia do país.

 

"Quero enfatizar que o crescimento do nosso balanço, para fins de gestão das reservas, não deve de forma alguma ser confundido com os programas de compras em larga escala de ativos que implementámos após a crise financeira", salientou o presidente da Fed.

 

Hoje, a Fed avançou com mais detalhes, anunciando então que o valor que vai desembolsar mensalmente na compra de ativos ascende a 60 mil milhões de dólares.

"Esta medida é puramente técnica, de modo a sustentar a eficaz implementação" da política de taxas de juro e "não constitui uma mudança" na nossa postura em termos de política monetária, voltou a frisar o banco central.

 

A crise de liquidez  

 

Em suma, a retoma da compra de ativos pela Fed visa expandir o seu balanço para evitar uma nova crise nos mercados dos empréstimos de curto prazo – e a que Powell chamou de "problemas técnicos", conforme sublinha o Financial Times. Esse crise, ou os tais "problemas técnicos", obrigaram a que a Reserva Federal tivesse de intervir várias vezes com injeção de liquidez.

 

Em causa está o dinheiro disponível para as instituições financeiras se financiarem (junto de outros bancos ou do banco central) para as suas necessidades de curto-prazo: os agentes económicos pedem empréstimos com garantias e prometem pagar em alguns dias a um valor superior. Chama-se um acordo de recompra (em inglês, "repo", repurchase agremeent), um mercado de 2,2 biliões de dólares nos EUA.


A liquidez desse mercado "secou" em meados de setembro, o que levou a taxa de juro em alguns empréstimos ‘overnight’ (de um dia para o outro) para os 10%, mais de quatro vezes superior ao intervalo dos juros diretores (atualmente nos 2% a 2,25%). Estes juros diretores da Fed servem para influenciar os juros praticados nos mercados financeiros dos EUA.

Esse episódio forçou a Reserva Federal a fazer uma injeção de liquidez de emergência de mais de 50 mil milhões de dólares para evitar que os custos de financiamento aumentassem ainda mais, o que não acontecia há mais de uma década, segundo a Reuters.




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