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Fernando Ulrich: “Nunca provavelmente a Esquerda fez em Portugal uma política tão redistributiva”

Em entrevista à SIC, o presidente executivo do BPI diz que o Governo de Passos Coelho tem tido “uma política tão redistributiva ou mais do que o Partido Comunista fez em 75”.

Negócios 16 de Fevereiro de 2014 às 19:30
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Ulrich declara que “é um mito” afirmar que a taxa de esforço e sacrifícios impostos nesta época de austeridade sejam só para alguns. “É um mito - e em breve vamos divulgar algumas informações sobre isso - não ter havido taxa de esforço e sacrifício para praticamente todos na austeridade”, declarou o CEO do BPI à SIC, no sábado, numa entrevista no programa “A Propósito”, conduzido pelo jornalista António José Teixeira.

 

“Provavelmente não há nenhum período da História recente portuguesa – talvez em 1975 – em que as medidas tomadas tenham sido tão redistributivas como foram agora”, sublinhou Fernando Ulrich. “Nunca provavelmente a esquerda fez em Portugal uma política tão redistributiva como a que tem feito o Governo do dr. Passos Coelho”, acrescentou.

 

Ulrich avançou ainda que o BPI encomendou um trabalho para ver como evoluiu a situação em várias categorias e que já dispõe de alguns resultados, mas que não está ainda em condições de divulgar.

 

Mas uma coisa pode afirmar: “As pessoas que mais ganham, tiveram cortes - seja pela via dos cortes, seja pela via da carga fiscal - muito maiores do que as pessoas que ganham menos. Com esta dimensão, talvez só em 75.”

 

“O que o dr Passos Coelho fez nessa matéria é tão redistributivo ou mais do que o Partido Comunista fez em 75, quando na altura não havia IRS; era o imposto complementar que chegou quase a 90%”, salientou.

 

“Evidentemente que isto foi duro, não se pode é dizer que as pessoas que mais ganham não estão a passar por cortes enormes e muito maiores do que aqueles que ganham menos”, declarou. E reiterou: “Não estou com isto a dizer que aqueles que ganham menos, ganham o suficiente, que estão bem, ou que os sacrifícios dos mais pequenos que lhes foram impostos também não são duros. Não se pode é dizer que a política não tem tido uma preocupação redistributiva enorme”.

 

Pensões foi das áreas com pior gestão

 

Nesta entrevista, onde falou sobre a dívida dos bancos, a saída da troika, as pensões e o programa cautelar, Fernando Ulrich sublinhou ainda o facto de Portugal ter agora recuperado “a credibilidade nos mercados internacionais”: “o País está a conseguir financiar-se sem apoio público, vai continuar, e a descida da taxa de juro é um sinal claríssimo disso. A economia começa a crescer e temos agora de entrar numa nova fase”, disse.

 

O CEO do BPI considera também que o tema das pensões foi das áreas que teve pior gestão, “quer no sector público, quer no privado”, “embora reconheça que, na situação de emergência e salvação social” que se viveu, isso tornou-se necessário, se bem que com alguns atropelos.

 

Mas, agora, “não me resigno a que o tema das pensões seja deixado como está. Temos de voltar a olhar para ele”, afirmou, acrescentando que “a generalidade da população portuguesa não percebe o sistema de pensões; não percebem as regras do sistema de pensões em que vivem”.

 

“E por não perceberem o sistema tal como ele é, e porque foram tomadas medidas muito desagradáveis, e algumas muito injustas para muitas pessoas, não tenho dúvidas que é uma prioridade que deve ser tratada em profundidade, com tempo, com calma, mas de forma persistente e disciplinada”.

 

“Não vou dizer que a 17 de Maio vamos repor tudo como estava antes de a troika entrar, mas é preciso lançar um trabalho de fundo, de revisão, de sistematização, de todo o regime de pensões português e da fiscalidade que incide sobre as pensões e até do ponto de vista de comunicação e de educação dos cidadãos, para que as pessoas percebam”, sublinhou.

Na opinião de Ulrich, “involuntariamente, quem tem responsabilidades nesta matéria [pensões], ao longo de décadas andou objectivamente a enganar as pessoas porque deixou criar expectativas que não tinham fundamento nenhum. (…) Não havia substrato económico”.

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