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Fernando Ruas esclarece que menção a «pedradas» era em sentido figurado

O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas (PSD), esclareceu hoje ter falado «em sentido figurado» quando afirmou que os presidentes de Junta de Freguesia deviam «correr à pedrada» os fiscais do Ministério do Ambiente.

Negócios com Lusa 28 de Junho de 2006 às 13:55
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O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas (PSD), esclareceu hoje ter falado «em sentido figurado» quando afirmou que os presidentes de Junta de Freguesia deviam «correr à pedrada» os fiscais do Ministério do Ambiente.

«Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada» foi a polémica afirmação do autarca, que é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses, feita durante a Assembleia Municipal de Viseu de segunda-feira e reproduzida na edição de hoje no Jornal de Notícias.

Hoje de manhã, durante a reunião que mensalmente realiza com todos os presidente da Junta de Freguesia do concelho, Fernando Ruas esclareceu que «estava a falar em sentido figurado e que, por isso, as suas afirmações não deveriam ter tido uma interpretação literal».

O autarca social-democrata aludiu à famosa expressão do seleccionador português de futebol «jogo do mata mata», questionando se também se deveria interpretar que Scolari quer que «se matem os jogadores todos em campo».

«Se me tivesse lembrado de outra expressão mais leve tê-la-ia aplicado. Por exemplo, também aqui na zona se utiliza "chegar fogo ao rabo" e "uma corrida em pelo"», acrescentou, frisando que «o importante é o significado».

Neste caso, explicou, o que motivou a polémica frase foram as frequentes queixas dos presidentes de Junta, nomeadamente em reuniões mensais como a de hoje, sobre a actuação dos funcionários do Ministério do Ambiente, designados por vigilantes da natureza.

No dia da Assembleia Municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros, António Carlos Coelho (PSD), tinha voltado a acusar os vigilantes da natureza de «excesso de zelo» nuns casos e de não darem tratamento às situações realmente importantes.

Este autarca foi confrontado com um processo de contra- ordenação levantado pelo Ministério do Ambiente, e posteriormente condenado, por ter colocado sete manilhas no caminho público do Lavadouro, em Pindelo de Silgueiros, a pedido dos moradores e dos proprietários agrícolas que se queixavam de dificuldades em transpor a linha de água que o atravessa em época de chuvas.

António Carlos Coelho explicou hoje aos jornalistas que no local já havia manilhas, «que com o tempo foram destruídas e não tinham resistência nem diâmetro suficientes"»para o caudal de Inverno.

«Foi-nos levantado um auto porque os vigilantes da natureza e os superiores hierárquicos que deram seguimento ao auto entenderam que para isso é necessário licença», lamentou.

Por tudo isto, Fernando Ruas considera que «não tem havido por parte dos vigilantes da natureza e de quem os enquadra respeito por quem foi eleito», motivo pelo qual demonstrou a sua «revolta» na última Assembleia Municipal.

«Falei em sentido figurado. Não era para irem arranjar cestas de pedra para atirar aos vigilantes da natureza», sublinhou.

Fernando Ruas concluiu, ironizando, que «se tivesse essa tendência tão belicista», teria «sugerido outros métodos mais eficazes do que a pedra», tendo a sua intervenção sido fortemente aplaudida pelos presentes na reunião.

António Carlos Coelho disse aos jornalistas que soube interpretar as afirmações de Fernando Ruas, lembrando que se trata de «uma expressão típica das beiras».

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