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Ferreira Leite: É "absolutamente inoportuno" falar-se na reforma da segurança social

Reformar, agora, a segurança social é "absolutamente inoportuno", considerou ontem Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD. E diz ser necessário explicar por que se fala agora de reformar novamente a segurança social e por que se congelou as reformas antecipadas, quando tinha sido dito que o financiamento da segurança social estava garantido até 2030.

Negócios negocios@negocios.pt 18 de Abril de 2012 às 10:08
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Em declarações à SIC Notícias, Ferreira Leite considerou que "seria absolutamente inoportuno, num momento destes, se alguém se lembrasse de fazer uma reforma da Segurança Social. Os problemas que existem neste momento são, esperemos, de curto prazo, conjunturais, e não se pode mexer num sistema que tem a ver com a nossa perspectiva de futuro, de longo prazo".

A ex-ministra das Finanças lembrou que fazer mudanças no sistema da segurança social nem teria efeitos imediatos e é mexer "nas expectativas das pessoas, que já têm sido muito mexidas". Por isso, reafirmou não fazer sentido falar-se dessa reforma neste momento. Para Manuela Ferreira Leite, "é talvez o tema mais sensivel para a sociedade portuguesa, porque mexe com as expectativas e com objectivos que as pessoas criaram ao longo de uma vida e que de repente vêem desmoronados sem qualquer hipótese de retrocesso. É um ponto extremamente delicado, que só pode ser mexido com pinças e portanto julgo que as reformas, alterações, grandes mudanças é tudo menos pinças".

A social-democrata diz que só falar de reformas na segurança social cria insegurança e desconfiança em relação ao Estado. E lembrou que isso aconteceu quando o Estado mexeu "unilateralmente" nos certificados de aforro. "Foi um ponto que pessoalmente muito lutei contra isso e muito denunciei e vê-se os resultados, praticamente estão aniquilados e com muita dificuldade se recupera a confiança".

Manuel Ferreira Leite, ainda a propósito da segurança social, lembra que os subsídios são pagos depois de contribuições dos cidadãos. "Tenho a obrigação de entregar um quarto do meu ordenado, tenho direito de ter prestação".

Falar em alterações "cria pânico nas pessoas, as pessoas estão amedrontadas". E volta a referir que é um tema que tem de ser tratado "com muito cuidado e prudência e não transmitir a ideia que é preciso mudar. A intranquilidade que se está a gerar, só com a perspectiva de que algo pode mudar e não há hipótese de refazer, é algo preocupante".

Além disso, Manuela Ferreira Leite diz que estas declarações sobre a possibilidade de se realizar reformas na segurança social, assim como o congelamento das reformas antecipadas, dão a sensação que a segurança social está em colapso. Por isso, é preciso saber porquê e o que aconteceu, já que na reforma anterior se garantiu que a sustentabilidade da segurança social estava garantida até 2030. Agora não estará garantida, deixa a pergunta Manuela Ferreira Leite, pretende explicações, porque o que entrou em colapso foi a situação económica, mas não a segurança social.


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