Empresas Filiais estrangeiras produzem e investem mais. Trabalhadores ganham acima da média

Filiais estrangeiras produzem e investem mais. Trabalhadores ganham acima da média

As filias de empresas estrangeiras presentes em Portugal pagam melhor, são mais produtivas e investem mais do que as empresas nacionais.
Tiago Varzim 19 de novembro de 2018 às 12:21
Há 6.455 filiais estrangeiras a operar em Portugal. O retrato feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) tende a ser positivo: produzem mais, investem mais e pagam melhor aos trabalhadores. A análise consta das Estatísticas das Filiais de Empresas Estrangeiras do INE publicadas esta segunda-feira, 19 de Novembro. 

São poucas, mas produtivas. Isto é, representam apenas 1,6% do total de empresas que existem em Portugal, excluindo as financeiras (bancos, entre outros). No entanto, representam 25,3% do volume de negócios desse universo, 24,1% do VAB (valor acrescentado bruto) e 15,2% do pessoal do serviço. Os dados são de 2017.

Isso reflecte-se, por exemplo, na produtividade média aparente do trabalho que é 18,1 mil euros superior às sociedades nacionais: 45,2 mil euros, o que compara com 27,1 mil euros das empresas nacionais. "Estas filiais tinham perto de 448 mil pessoas ao serviço", refere o INE. 

E reflecte-se também nos salários. A remuneração média mensal por pessoa nas filiais estrangeiras atingiu os 1.351 euros no ano passado, "valor mais elevado para o período em análise", assinala o gabinete de estatística. Este salário compara com os 943 euros que, em média, são pagos pelas sociedades nacionais. 

Além disso, as filiais estrangeiras investem mais, atingido uma taxa de investimento de 24,2%, o que compara com 20,6% nas empresas nacionais. Os sectores que pesam mais entre as filiais são os do comércio e os da indústria e energia.

No entanto, também há dois factores negativos: o rácio de autonomia financeira das filiais estrangeiras diminuiu e o rácio de liquidez geral também. "Em 2017 os valores absolutos destes dois indicadores foram maiores nas sociedades nacionais, tal como no ano anterior", destaca o INE. 

Europa e EUA em peso 
Uma filial estrangeira é uma empresa presente em território nacional que é detida por uma sociedade não residente em Portugal. A maior parte (80%) é detida por outras empresas europeias, mas também há um peso significativo dos Estados Unidos. Espanha destaca-se, seguido pela França, Alemanha e o Reino Unido.

As empresas francesas - nomeadamente a Altice, através da compra da PT - presentes em Portugal são as que acrescentam mais à economia (VAB maior), apesar de as empresas espanholas - maioritariamente do sector agrícola - superarem em número.

Nota para o Luxemburgo que entrou em 2017 no top 3 do VAB gerado pela construção e as actividades imobiliárias, uma actividade que tem sido muito dinâmica em Portugal por via de capitais estrangeiros. 

"Em termos da comparação internacional verifica-se que, para o ano de 2015 (último ano com dados disponíveis), o peso do VAB das filiais estrangeiras em Portugal era de 24,0%, um pouco abaixo da média europeia (24,6%)", assinala ainda o INE. Neste ranking destaca-se a Irlanda onde 59,2% do VAB é gerado por filiais estrangeiras. 



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