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Final de ano puxa pela economia e ajuda défice de 2014

Consumo foi decisivo para o bom resultado do quarto trimestre. PIB deverá crescer mais que 0,8% em 2014.

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2014 às 00:01
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2013 foi ainda um ano de recessão para Portugal, com uma contracção da actividade económica de -1.4%. Mas o último trimestre do ano passado trouxe o primeiro crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB) desde o final de 2010. Um resultado que terá um impacto positivo em 2014, dando mais margem ao Governo para alcançar as metas do défice deste ano.

No debate quinzenal de sexta-feira, Pedro Passos Coelho foi o primeiro a abrir a porta ao tema, admitindo ser "muito provável" que o crescimento deste ano acabe por ser superior aos 0,8% estimados actualmente.

 

A mesma ideia seria depois sublinhada por António Pires de Lima e Paulo Portas. "Eu estou satisfeito com evolução da economia portuguesa. O ano 2014 vai dar continuação a esta evolução positiva", afirmou o ministro da Economia. Já o vice-primeiro-ministro antecipou "uma revisão mais alargada" do cenário macroeconómico para 2014 durante a 11ª avaliação da troika, que arranca perto do final do mês.

Os economistas parecem concordar que Portugal crescerá mais em 2014 do que se espera hoje. Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio, admite que o banco reviu em alta as previsões de crescimento do PIB de 0,8% para 1,2%, "reflectindo sobretudo o ‘carry-over’ mais favorável que se estima agora".

 

"Caso em 2014 o PIB estabilizasse nos níveis do quarto trimestre de 2013 registaria um crescimento anual de 0.8%. Mas, com excepção do primeiro trimestre de 2014, estima-se uma aceleração da actividade ao longo do ano", refere ao Massa Monetária, um blogue do Negócios.

Paula Carvalho, economista-chefe do BPI, também antecipa uma revisão em alta das estimativas do banco para 2014, actualmente em 1%. "Contribui também favoravelmente para o esforço de consolidação orçamental em 2014. Recorde-se se que no Orçamento de Estado para 2014, o Ministério das Finanças estimava que o regresso a crescimento previsto de 0,8% reduzisse o esforço de consolidação em 0,5 pontos percentuais do PIB, pelo que um maior ritmo de expansão reforçará este contributo, permitindo mais facilmente alcançar a meta para o défice." O "Dinheiro Vivo" já noticiou que a troika deverá rever o crescimento do PIB de 2014 para 1,2%.

Consumo fez avançar o PIB

O INE revelou um crescimento homólogo do PIB no último trimestre de 2013 de 1,6%. Esta evolução positiva no final do ano deveu-se à "recuperação da procura interna", que pela primeira vez desde o final de 2010 deu um contributo positivo para a variação homóloga do PIB, com destaque para o consumo das famílias. Ao mesmo tempo, assistiu-se a um aumento do contributo positivo da procura externa líquida, devido à aceleração das exportações.

Rui Bernardes Serra refere que o consumo privado terá caído menos do que se esperava para a totalidade do ano, que o consumo pública tenha crescido mais e que o investimento tenha regressado a terreno positivo.

 

 
Duas narrativas, os mesmos dados

Para responder a Seguro, Nuno Magalhães leu um excerto da nota do INE que refere que as exportações deram um contributo positivo para o PIB. Omitiu a parte em que se fala da "ajuda" do consumo. Minutos antes, Seguro usou uma táctica idêntica, omitindo as exportações. O diálogo é simbólico das duas formas como maioria e oposição olham para os mesmos dados do INE.   

 

Copo meio cheio

 

Crescimento surpreendeu pela positiva

"Superámos todas as expectativas." A frase é da intervenção inicial de Pedro Passos Coelho no debate quinzenal de sexta-feira. Na base desta narrativa está o facto de as últimas estimativas da troika e do Governo apontarem para uma recessão de 1,8% em 2013. Um ano que, segundo os números do INE, acabou por registar uma contracção do PIB de 1,4%. O Governo argumenta que este resultado mostra que a economia já está a "virar", tendo iniciado uma tendência de subida que deverá contagiar 2014. O Executivo e a maioria preferem também destacar o esforço das exportações, desvalorizando o efeito do consumo.

 

Emprego começou a recuperar

Nos últimos dias, o Governo e a maioria têm utilizado frequentemente um número: 120 mil postos de trabalho criados. A referência temporal não é convencional, dizendo respeito ao período entre o segundo e o quarto trimestre de 2013, excluindo assim tanto o quarto trimestre de 2012 como o primeiro de 2013. Sobre as acusações de o emprego estar a ser criado por programas ocupacionais na Administração Pública, principalmente instituições de solidariedade social, Passos Coelho classificou-as como demagógicas, defendendo que todos os países europeus "têm programas ocupacionais". 

 

 

Copo meio vazio

 

Não existiu crescimento em 2013

A oposição acusa o Governo de estar a festejar um resultado que mantém Portugal em recessão pelo terceiro ano consecutivo. "O Governo faz uma grande festa. A maioria fala de milagre económico. Mas o País teve uma recessão de 1,4%", lembrou António José Seguro. "Montaram uma máquina de propaganda para iludirem os portugueses." Mais: o resultado de 2013 pode ter sido menos negativo face ao que apontavam as últimas previsões, mas estimativas anteriores esperavam uma recessão mais leve. A oposição sublinha o impacto do consumo e ignora o papel das exportações no crescimento.

 

Emprego está a ser criado artificialmente

Existem três argumentos principais da oposição em relação aos dados do emprego. Por um lado, a comparação homóloga do quarto trimestre de 2013 com o mesmo trimestre de 2012 revela um aumento muito mais modesto do emprego (29 mil). Por outro, apresenta um impacto muito relevante da emigração na descida da taxa de desemprego, através da redução da população activa. No debate de sexta-feira, o PS optou por se concentrar num terceiro ponto: a influência de programas ocupacionais - principalmente em instituições de solidariedade social - que estão provocar um aumento "artificial" dos números do emprego.

 
Portugal registou o segundo maior crescimento do euro

O maior crescimento na Zona Euro foi sentido na Letónia, que cresceu 3,6%. Portugal seguiu-se com uma expansão de 1,6%. A Alemanha cresceu 1,4% e a França 0,8%, superando as estimativas dos economistas. Estas duas economias - as maiores da moeda única - foram as que mais ajudaram ao desempenho do PIB europeu.

 

Do lado das contracções, encontram-se as economias espanhola (-0,1%), italiana (-0,8%), e cipriota (-5,3%), todas menos intensas do que no trimestre anterior. O PIB da Grécia recuou 2,6%, atenuando as fortes quedas dos trimestres anteriores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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