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Fitch corta rating de Itália para nível abaixo de Portugal

A agência de notação financeira diz que o "downgrade" reflete o significativo impacto da pandemia de covid-19 na economia e situação orçamental do país.

LUSA_EPA
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 28 de Abril de 2020 às 21:33
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A Fitch cortou a classificação da dívida soberana de Itália em um nível, para BBB-, ficando assim no último grau do patamar de investimento de qualidade – ou seja, a um nível de regressar à categoria de "lixo" (investimento especulativo).

 

Já a perspetiva (outlook) para a evolução da dívida transalpina foi reiterada como ‘estável’.

 

A agência explica que diz que este "downgrade" da notação soberana reflete o significativo impacto da pandemia de covid-19 na economia e situação orçamental do país.

Itália tinha a mesma notação que Portugal e fica agora um nível abaixo. As agências de rating têm estado a tomar decisões fora das datas calendarizadas devido à pandemia.

 

Na passada sexta-feira, 24 de abril, a Fitch reviu em baixa o outlook de Portugal, numa decisão supresa, depois de a S&P o ter feito uma semana antes. Ambas as agências mantiveram a notação portuguesa no penúltimo nível de investimento de qualidade mas baixaram a perspetiva de ‘positiva’ para ‘estável’.

 

Também na última sexta-feira Itália viu o seu outlook cortado pela Standard & Poor’s – decisão tomada na data agendada.

 

Havia quem receasse que a S&P decidisse cortar o rating de Itália para "lixo", mas a agência acabou por surpreender pela positiva ao manter a classificação no penúltimo grau do patamar de investimento de qualidade. No entanto, desceu a perspetiva para negativa, o que significa que poderá cortar o rating se a economia transalpina continuar a ser fustigada pelos efeitos da covid-19, que castigou fortemente o país.

 

A S&P disse que poderá baixar a notação de Itália se a proporção da dívida pública no PIB não entrar numa trajetória descendente claramente discernível nos próximos três anos ou se houver uma marcada deterioração das condições de financiamento que abale a sustentabilidade das suas finanças públicas.

 

Entre quem receava um corte de Itália para o patamar de investimento de categoria especulativa estava o Banco Central Europeu.

 

Com efeito, os ratings têm sido uma preocupação crescente nos mercados, num momento em que os "lockdowns" – mais de meio mundo está confinado em casa – abrem caminho à maior recessão das últimas décadas.

 
A antecipação do BCE

Já a prever que algumas notações soberanas ou corporativas possam regressar ao patamar de investimento especulativo, o BCE anunciou a 22 de abril que irá aceitar "junk bonds" como garantia nas operações de financiamento do Eurosistema.

Também a Fitch optou por rever em baixa a perspetiva da Grécia na passada quinta-feira, de positiva para estável, mantendo o rating em BB, que corresponde ao segundo nível de "lixo". A S&P tomou a mesma decisão no dia seguinte para o 'outlook' da dívida soberana helénica, reafirmando a notação do país em BB- (terceiro nível da categoria de investimento especulativo).

 

Os relatórios sobre os ratings e perspectivas para as dívidas soberanas podem não ser publicados, uma vez que o calendário de eventuais revisões das notações soberanas é apenas indicativo. Mas, nos termos da regulação da União Europeia, também pode acontecer o que se viu uma vez mais no dia de hoje: se considerarem necessário, tendo em conta circunstâncias novas, as agências podem pronunciar-se fora das datas calendarizadas.

E a Fitch justifica: "nos termos da regulação comunitária sobre agências de rating, a publicação de avaliações soberanas está sujeita a restrições e deve ocorrer de acordo com o calendário publicado, exceto quando as agências considerem necessário desviarem-se desse calendário de modo a cumprirem com as suas obrigações legais. A Fitch interpreta esta cláusula como permitindo que publique uma avaliação de rating nas situações em que há uma alteração material da qualidade creditícia do emitente – e consideramos que seria inapropriado da nossa parte esperar pela próxima data calendarizada para fazer esta atualização".

 

A próxima data prevista para a agência avaliar Itália é a 10 de julho, "mas a Fitch está convicta de que os desenvolvimentos no país merecem desvios no calendário".

Estimativas e advertências

A agência prevê uma contração de 8% do PIB italiano em 2020, estimando que os riscos possam diminuir se o coronavírus estiver contido no segundo semestre de 2020, levando a uma retoma económica relativamente robusta em 2021.

 

Mas, no caso de uma segunda onda de infeções e de uma nova generalização de medidas de confinamento, os resultados económicos serão mais fracos em 2020 e em 2021, adverte.

 

A dívida pública italiana em proporção do PIB aumentará em cerca de 20 pontos percentuais este ano, estima a Fitch. "A nossa previsão de base é que a dívida pública ascenda a 156% do PIB no final de 2020 (quando a atual média de quem tem rating de BBB [aquele em que Itália estava] é de 36%", diz o relatório da Fitch.

 

Já o outlook estável reflete a convicção da agência de que as compras de ativos por parte do BCE facilitarão a resposta orçamental de Itália à pandemia e atenuarão os riscos de refinanciamento – ao manter os custos dos empréstimos em níveis bastante baixos, pelo menos no curto prazo. No entanto, avisa, poderá voltar a haver pressões para baixar o rating se o governo italiano não implementar uma estratégia orçamental credível e de promoção do crescimento económico.

(notícia atualizada às 21:52)

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