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Fitch ameaça tirar “rating” máximo à Holanda

A agência de notação financeira manteve classificação de "AAA" para a dívida pública holandesa, mas desceu de estável para negativo o seu “outlook”, sinalizando a probabilidade de uma revisão em baixa do "rating". A nacionalização do SNS Bank pesou na decisão.

Fitch: "É desejável uma maior diluição das soberanias nacionais"
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2013 às 17:45
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A Fitch anunciou esta tarde que desceu de estável para negativo o “outlook”, ou “perspectiva”, associado à classificação da dívida pública da Holanda, sinalizando deste modo a probabilidade de, nos próximos seis a doze meses, proceder a uma retirada da classificação máxima, AAA, agora reafirmada para as obrigações do país. A Holanda é um dos poucos países do euro cujas obrigações ainda dispõem de classificação máxima das três grandes agências de "rating".

 

Escreve a Fitch que a revisão em baixa do “outlook” reflecte o impacto de vários choques que estão a abalar uma economia relativamente endividada, designadamente a crise no imobiliário e as recentes turbulências no sector financeiro, que levaram à nacionalização do SNS Bank.

 

“Os preços das casas estão cair a um ritmo rápido e a correcção do mercado imobiliário está a ser mais acentuada do que o que anteriormente esperado”. Com a dívida das famílias em 130% do PIB, um das mais altas da União Europeia, a perspectiva de uma retracção continuada do mercado imobiliário (a Fitch assume que uma desvalorização entre 5% e 7% ao ano vai prosseguir até meados de 2014) é “susceptível de produzir uma contracção adicional no consumo privado, devido aos efeitos negativos sobre a riqueza”.

 

Em segundo lugar, enumera Fitch, a nacionalização, na semana passada, do SNS Bank confirma a persistência de “alguns problemas no sistema bancário”, designadamente entre os maiores. Em terceiro lugar, acrescenta a agência, o nível da dívida pública (a Fitch antecipa o “pico” em 77% do PIB) é  superior ao observado na maioria dos países que ainda detém “AAA", “o que reduz as opções de política orçamental e antecipa um desempenho pior da economia” face ao esperado.

 

As contas da agência diferem, assim, das do Governo, que estabeleceu para este ano a meta de reduzir o défice orçamental para o equivalente a 3% do PIB, pressupondo um crescimento real do PIB de 0,7%. Já a Fitch espera uma contração do PIB real de 0,5%
em 2013, o que resultaria num défice orçamental de 3,4% do PIB.

 

E porque mantém, por ora, a classificação máxima? Porque a Holanda tem uma economia “flexível, diversificada e competitiva”, como revelam os seus tradicionais excedentes externos e capacidade de atrair investimento estrangeiro, explica a Fitch.

A contribuir para a manutenção do “AAA”, acrescenta a agência, está ainda a circunstância de o país ter e manter um consenso político histórico de apoio à disciplina orçamental.

(Notícia actualizada às 17h55)

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