Finanças Públicas FMI: Economia arrefeceu, défice vai derrapar e exigir mais austeridade

FMI: Economia arrefeceu, défice vai derrapar e exigir mais austeridade

Défice abaixo de 3% do PIB dificilmente será atingido sem mais medidas de austeridade. O aviso é do FMI que prevê que a economia cresca 1%, longe da previsão de 1,8% do governo.
FMI: Economia arrefeceu, défice vai derrapar e exigir mais austeridade
Miguel Baltazar

A política de devolução de rendimentos levou a uma recuperação "vigorosa" do consumo mas não puxou pela economia portuguesa, e as finanças públicas vão ressentir-se do arrefecimento da actividade económica. Nas contas do FMI, Portugal só vai crescer 1%, longe dos 1,8% do governo, e a meta de consolidação orçamental do governo só será atingida com mais medidas de austeridade, caso contrário o défice andará na casa de 3% do PIB, limite máximo permitido pelas regras europeias cuja repetida violação dificilmente não significaria agora sanções pecuniárias.

Os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) surgem na sua avaliação à economia portuguesa realizada ao abrigo do artigo IV, que obriga a instituição sedeada em Washington a fazer um "check-up"anual aos seus países-membros.


"A recente desaceleração económica, aliada a uma taxa de poupança em mínimos históricos, sugere que a recuperação assente no consumo pode perder fôlego", escreve o FMI, que mantém a previsão, revista em baixa no Verão, de que Portugal cresça 1%, menos do que os 1,4% que previa em Abril e do que os 1,8% estimados pelo governo.



Neste quadro e perante "pressões na despesa" pública,  a instituição liderada por Christine Lagarde diz que "é improvável que os objectivos orçamentais de 2016 sejam alcançados sem medidas adicionais", antecipando um défice orçamental de 3% do PIB neste ano (e no próximo), que compara com os 2,2% prometidos no Orçamento do Estado.

O FMI admite ainda que tão pouco "pode ser descartada uma  recapitalização adicional na banca", não ficando claro se está a referir-se ao processo em curso na CGD ou a um outro.


(correcção: Défice inscrito no OE deste ano é de 2,2% e não de 2,4% do PIB, como surgia na versão inicial)



 




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