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FMI insiste no risco de deflação e nos recados ao BCE

Dias depois de a directora-geral Christine Lagarde se ter mostrado preocupada com a lenta evolução dos preços na Zona Euro, o FMI pede medidas mais agressivas a Mario Draghi.

Bloomberg
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 08 de Abril de 2014 às 14:00
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Dias depois de a directora-geral Christine Lagarde se ter mostrado preocupada com a lenta evolução dos preços na Zona Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) classifica a inflação como um dos principais riscos para a economia mundial e pede medidas mais agressivas a Mario Draghi, como taxas de depósitos negativas e medidas dirigidas às PME.

 

“Existe um risco, apesar de cada vez menor, de entrar-se em deflação, numa situação de choques negativos para a actividade”, escreve o Fundo no World Economic Outlook (WEO) de Abril, publicado esta terça-feira, 8 de Abril. “Este risco é especialmente preocupante para a Zona Euro e, em parte, para o Japão. Na Zona Euro, o risco é que a inflação possa ficar abaixo da meta de estabilidade de preços do BCE por um valor maior ou durante mais tempo do que as previsões base apontam, dado o desemprego muito elevado em muitas economias.”

 

Nesse sentido, perante um crescimento frágil e uma inflação muito baixa, o FMI pede “mais apoio à procura”. “Entre possíveis actuações estariam novos cortes nas taxas [de juro de referência], incluindo taxas de depósito ligeiramente negativas e medidas não convencionais, incluindo operações de refinanciamento de mais longo prazo (possivelmente dirigidas a Pequenas e Médias Empresas), para apoiar a procura e reduzir a fragmentação”, pode ler-se no documento.

 

Noutro ponto do WEO, o Fundo diz claramente que estas medidas não convencionais são “necessárias”, reduzindo os riscos “de inflação ainda mais baixa ou mesmo deflação”. E deixa o aviso: “uma inflação continuamente baixa não deverá contribuir para uma recuperação sustentável do crescimento económico.”

 

Na última reunião do Conselho de Governador do BCE na semana passada, Mario Draghi não resistiu a comentar (com sarcasmo) as recentes declarações de Christine Lagarde sobre as pressões deflacionárias. “Ultimamente, o FMI tem sido extremamente generoso nas suas sugestões sobre o que devemos ou não fazer e estamos muito agradecidos por isso", atirou. "Sinceramente, gostaria que o FMI fosse assim tão generoso com outras jurisdições de política monetária, como por exemplo fazer declarações um dia antes de uma reunião da Reserva Federal [norte-americana]."

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