Finanças Públicas FMI propõe abordagem "diferente" à banca com plano de reestruturação do malparado

FMI propõe abordagem "diferente" à banca com plano de reestruturação do malparado

Chegou o "momento de tentar algo diferente" com a banca, defende o FMI. Subir Lall, o chefe de missão para Portugal, defende um programa de reestruturação do crédito malparado.
FMI propõe abordagem "diferente" à banca com plano de reestruturação do malparado
Miguel Baltazar
A urgência em reestruturar o sistema bancário e, em particular, em resolver mais rapidamente os elevados níveis de crédito malparado parecem estar a subir na escala de prioridades do FMI, que no quarto relatório de acompanhamento pós-programa, atribui "prioridade máxima" ao ataque às vulnerabilidades do sector, considerado que é "o momento de tentar algum diferente". Subir Lall, o chefe de missão para Portugal, pede um plano centralizado para lidar com mal-parado. 
 
Os bancos "precisam de criar espaço nos seus balanços para eliminar os activos improdutivos", afirma Subir Lall a uma publicação do Fundo, recomendando uma "abordagem sistémica ao problema da dívida dos pequenos mutuários", a qual inclua "um esforço centralizado e com prazos definidos para aumentar os capitais próprios dos bancos de modo a criar espaço no balanço para eliminar os activos improdutivos. Muitas das dívidas são pequenas, mas quando combinadas, asfixiam os balanços dos bancos", limitando a concessão de crédito.
 
A proposta de um esforço centralizado – deduz-se que nas autoridades competentes – com a definição de prazos e metas para redução do mal parado é uma evolução no tipo de recomendações que o FMI vem fazendo ao país. No programa de ajustamento, como aliás até agora, a abordagem foi a de pressionar a desalavancagem do sector e incentivar a reestruturação de crédito de forma descentralizada, procurando facilitar a vida aos bancos, por exemplo agilizando os mecanismos legais para reestruturação e recuperação de empresas e créditos. Face aos maus resultados da abordagem implementada nos últimos anos – lucros baixos, crédito às empresas ainda em queda, e malparado ainda a crescer – a publicação do FMI que entrevista Subir Lall fala em ter chegado o "momento de tentar algo diferente".
 
"Os bancos têm de abordar o problema com firmeza, eliminar os empréstimos antigos e facilitar o crédito a novas empresas e novos sectores que serão os motores de crescimento no futuro", reforça o economista que acompanha Portugal desde 2013, ainda antes do fim do programa de ajustamento.
 
A opinião dos técnicos de Washington é acompanhada pela dos directores do FMI – que liderados por Christine Lagarde, governam a instituição. Em comunicado, o Fundo escreve que "os directores enfatizam que lidar com as vulnerabilidades do sector bancário deve ser uma prioridade máxima", considerando que os bancos só regressaram aos lucros sustentados e a conceder crédito à economia se limparem os balanços, "incluindo lidar com o crédito mal prado, com suporte de aumentos de capital e provisões".
 
Não fiquem à espera de solução europeia

Nessa medida, o FMI incentiva o governo a procurar soluções a nível nacional, sem esperar por uma abordagem europeia ao problema, a qual tem sido reclamada por Carlos Costa o governador do banco central, e também pelo Governo português.

Os directores "viram mérito em encontrar soluções a nível nacional aos desafios dos bancos portugueses, usando o actual enquadramento regulatório", avança a instituição.
 
Na análise ao sector bancário é novamente sublinhada a importância dos bancos melhorarem a gestão, cortando custos, e escolhendo bem os administradores. Para os directores do Fundo "os bancos devem reduzir custos operacionais e melhorar a governance interna de forma as que as decisões sejam guiadas apenas por interesses comerciais", lê-se na mesma nota, que faz eco da posição dos economistas liderados por Subir Lall.

As recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) surge na sua avaliação à economia portuguesa realizada ao abrigo do artigo IV, que obriga a instituição sedeada em Washington a fazer um "check-up"anual aos seus países-membros, a qual concidiu com a quarta avaliação pós-programa. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira, 22 de Setembro, em simultâneo com um outro onde o FMI faz o balanço da actuação da troika, concluindo que o programa de ajustamento foi "relativamente bem sucedido".




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