IRC Funcionária da Inspecção-Geral de Finanças na lista da Swissleaks
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Funcionária da Inspecção-Geral de Finanças na lista da Swissleaks

Segundo a TVI, um dos portugueses que tinha dinheiro no HSBC na Suíça é chefe de serviço na Inspecção-Geral das Finanças. Ex-ministro e actual deputado também está na lista.
Funcionária da Inspecção-Geral de Finanças na lista da Swissleaks
Negócios 12 de março de 2015 às 20:20

Uma chefe de serviços da Inspecção-Geral das Finanças (IGF) figura entre os nomes de portugueses que em 2006/2007 tinham contas no HSBC na Suíça, revelou esta noite a TVI, adiantando que também um ex-ministro constará da lista. 

 

A funcionária da IGF dá pelo nome de Filomena Martinho Bacelar e durante vários anos terá desempenhado vários cargos de responsabilidade em empresas públicas, diz a TVI, que enumera os casos do Metro do Porto, Ana, Transtejo, ParquExpo, Doca Pescas ou o Hospital Distrital Santarém como outros locais por onde terá passado.

 

Filomena Bacelar deteria ao todo, juntamente com mais dois parentes, cerca de 2,5 milhões de dólares no HSBC. Este dinheiro conduziu a TVI a duas sociedades off-shore, uma das quais com sede nas Amoreiras, e que será gerida pela advogada Ana Bruno, cujo escritório já terá sido alvo de buscas no âmbito das investigações no caso Montebranco, diz o canal de televisão.

 

Ainda segundo a TVI, o único órgão de comunicação social português que tem um jornalista que integra o Consórcio Internacional de Jornalistas, a lista tem 611 nomes, mas nem todos têm nacionalidade portuguesa ou são identificáveis.

 

Mas, entre os 137 portugueses, há várias figuras conhecidas - e não são poucas, diz o canal. Para já, a TVI não revela mais dados, apresentando apenas uma contabilidade geral.

 

Por exemplo, a conta com mais dinheiro, no valor de 144 milhões de euro, está associada a um banco nacional. Já a de montante mais baixo, no valor de mil e poucos euros, pertence a um ex-ministro e actual deputado. 

 

De Falciani a Lagarde, e desta à Swissleaks

A reportagem da TVI tem por base os discos roubados em 2008 por Hervé Falciani ao HSBC. Este antigo funcionário entregou a informação ao governo francês, que na altura tinha Christine Lagarde à frente da pasta das Finanças, e que se disponibilizou a entregar as listas a todos os países que as solicitassem.

 

Vários países a pediram de 2010 em diante, e já conseguiram recuperar várias centenas de milhões de impostos. Mas, no início do ano, o caso entrou numa nova etapa, quando um conjunto de órgãos de informação internacionais deitaram mão na lista e divulgaram muitos dos nomes de figuras que, em 2006/2007 tinham dinheiro (clandestino ou não) no HSBC em Genebra.

 

A TVI, que integra a rede de jornalistas, continua a trabalhar os dados, numa altura em que várias questões continuam por esclarecer por parte do anterior e do actual Governo, que durante vários anos mantiveram silêncio em torno deste caso. 

 

O Governo PS garante que deu instruções ao director-geral dos Impostos da altura para pedir a lista, mas José Azevedo Pereira, em declarações ao Negócios, desmente veementemente esta informação, e diz que não lhe competia a ele tomar essas diligências (que noutros países foram feitas por via diplomática). É palavra contra palavra, e Sérgio Vasques, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de então, recusou-se a fazer mais comentários sobre o caso e esclarecer o caso. 

 

O actual Governo, por seu turno, não explica porque é que demorou quatro anos a pedir a lista às autoridades francesas. Fê-lo em meados de Fevereiro e recebeu-a quinze dias depois, já em reacção às reverberações internacionais do escândalo Swissleaks. 

 

 

 

 




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