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Georgieva entra na corrida à liderança da ONU e ameaça Guterres

Kristalina Georgieva, candidata apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, é considerada a mais difícil adversária do ex-primeiro-ministro português António Guterres.

Negócios com Lusa 28 de Setembro de 2016 às 09:32
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A Bulgária mudou a sua candidata ao cargo de secretário-geral da ONU, substituindo Irina Bokova por Kristalina Georgieva, anunciou o primeiro-ministro do país, citado pela AFP.

 

Kristalina Georgieva, candidata apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, é considerada a mais difícil adversária do ex-primeiro-ministro português António Guterres na corrida à liderança das Nações Unidas.

 

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro búlgaro Boiko Borissov hoje em Sofia. "Nós acreditamos que é uma candidatura de sucesso", disse o chefe do governo de centro-direita aos jornalistas na capital búlgara referindo-se a Kristalina Georgieva.

 

O Governo português disse ver "com serenidade" a entrada de Kristalina Georgieva na corrida à liderança das Nações Unidas, hoje anunciada pela Bulgária, reiterando o valor da candidatura de António Guterres, que foi "transparente e a tempo".

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse encarar a alteração "com toda a serenidade". "Apresentámos a candidatura do engenheiro António Guterres no fim do mês de Fevereiro. Fizemo-lo a tempo, com toda a transparência e de forma a que António Guterres fosse sujeito a todas as provas e passos que o processo de selecção a secretário-geral das Nações Unidas hoje exige", afirmou hoje à Lusa. 

"Um grave erro político"

 

O nome de Irina Bokova tinha sido proposto pelos socialistas da Bulgária e ainda ontem a directora-geral da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) tinha assegurado que iria manter a candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

 

Na quinta volta do escrutínio indicativo e por voto secreto no Conselho de Segurança na segunda-feira, Irina Bokova ficou em sexto lugar. Sobre a sua substituição por Georgieva, Bokova tinha afirmado que "isso não acontece a nenhum candidato em nenhum outro país", disse, numa referência ao nome de Georgieva, considerando que "a verdadeira batalha está para vir", já que as cinco primeiras voltas são apenas uma "etapa preliminar de posicionamento dos candidatos".

 

"Se for apresentada uma segunda candidatura [pela Bulgária], isso seria um grave erro político. E ia enfraquecer não apenas as minhas hipóteses, mas também as hipóteses do outro candidato", sublinhou.

 

Guterres à frente após cinco votações

 

Na votação indicativa de segunda-feira, o antigo primeiro-ministro português e anterior Alto Comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR) António Guterres continuava à frente de todos os candidatos para substituir Ban Ki-moon em Janeiro.

 

Guterres teve 12 votos "encoraja", dois "desencoraja" e um "sem opinião", precisamente o mesmo resultado da última votação. Em segundo lugar, ficou o sérvio Vuk Jeremic, mas com apenas oito votos de encorajamento, seis "desencoraja" e um "sem opinião.

A próxima votação, prevista para 5 de outubro, é mais importante devido à possibilidade de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China) a qualquer candidato, incluindo Guterres.

 

O nome do próximo secretário-geral da ONU deverá ser anunciado durante o próximo mês e a decisão do Conselho será, em seguida, ratificada pela Assembleia-geral das Nações Unidas. 

Na escolha do sucessor de Ki-Moon há que contar com movimentos em favor da eleição alguém vindo da Europa de Leste, mas também de uma mulher, o que seria inédito na instituição, após os oito homens que já ocuparam o cargo.

 

Na escolha do líder da ONU, assim que um candidato reunir nove votos entre os 15 países membros e aprovação de todos os membros permanentes - China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos - o conselho recomendará o seu nome para aprovação pela Assembleia-Geral da ONU, que reúne representantes de 193 países.

 

A organização espera encontrar durante este outono o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano.

 

Neste momento, o lugar de secretário-geral da ONU é disputado por 9 candidatos, quatro deles mulheres.


(notícia actualizada às 10:00 com mais informação) 

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