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Gerhard Schröder acusa Governo de Merkel de dogmatismo

"Em caso de emergência, o BCE devia ser autorizado a comprar ilimitadamente dívida pública de países endividados", disse o político social-democrata.

Lusa 19 de Novembro de 2011 às 16:05
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O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder acusou hoje o actual Governo alemão de “dogmatismo", por recusar a compra de mais dívida pública de países do euro em dificuldades financeiras pelo Banco Central Europeu (BCE)."Em caso de emergência, o BCE devia ser autorizado a comprar ilimitadamente dívida pública de países endividados", disse o político social-democrata à emissora pública de rádio MDR-Info."É preciso acabar com a atitude dogmática da Alemanha nesta matéria", defendendo uma maior intervenção do BCE, como já fizeram outras personalidades europeias, incluindo o Presidente da República, Cavaco Silva, e o ex-presidente Mário Soares."Em última análise, se a situação em Itália, na Espanha, e provavelmente na França se agudizar, o Banco Central Europeu podia tornar claro que intervirá de forma ilimitada em defesa do euro", acrescentou Schröder.O ex-chanceler tem sido acusado pela actual coligação de centro direita liderada por Angela Merkel de ter contribuído para sucessivas violações do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), durante o seu consulado, entre 1998 e 2005, por, em conjunto com a França, ter dado um mau exemplo a outros países mais pequenos da zona euro neste domínio.O Governo alemão rejeitou nos últimos dias, quer através de Angela Merkel, quer do ministro das finanças, Wolfgang Schäuble, que o BCE compre ainda mais dívida pública de países da moeda única, apesar de os juros da Itália e da Espanha se terem aproximado da barreira problemática dos sete por cento, e os juros da França terem ultrapassado os 3,5 por cento, o dobro do que é exigido à Alemanha nos mercados.Rainer Brüderle, líder parlamentar dos liberais, um dos partidos do executivo germânico, exigiu mesmo que o BCE pare de comprar dívida pública de países do euro, ainda que em escala reduzida e se concentre na sua tarefa essencial, o controlo da inflação."Se o BCE continuar a imprimir moeda, o risco de inflação aumenta, e abandonaríamos a cultura alemã de estabilidade financeira em que temos tanto orgulho", advertiu Brüderle, em declarações ao jornal Leipziger Volkszeitung.Entre os economistas alemães, as opiniões sobre uma maior ou menos intervenção do BCE dividem-se.Thomas Straubhaar, director do Instituto de Economia Mundial, de Hamburgo, advogou um reforço da acção do BCE, alegando que, na actual situação, o banco central "é o único bombeiro que resta para evitar graves riscos para a estabilidade do euro".Já Wolfgang Franz, actual presidente dos chamados "cinco sábios", grupo de conselheiros do governo alemão, considerou "errada" a actual política do BCE de comprar dívida italiana, afirmando que "é um pecado mortal um banco central colocar-se na dependência de um Estado, através de compra de dívida pública".
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