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Gestor de fortunas apanhado no Panama Papers disse ter políticos portugueses como clientes

Um presidente de um país e vários políticos portugueses estavam entre os clientes de Jorge Humberto Cunha Ferreira, um gestor de fortunas do departamento sul-americano do Banque Internationale à Luxembourg (BIL - Banco Internacional do Luxemburgo) apanhado no processo Papéis do Panamá.

Reuters
Negócios 08 de Abril de 2016 às 20:49
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Desde 2012 que o português Jorge Humberto Cunha Ferreira, gestor de fortunas do BIL, angariava e geria clientes de Portugal, África e América Latina para a sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca, revelam a TVI e o Expresso, que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI) que investigou mais de 11,5 milhões de documentos e 2,6 terabytes de informação secreta que foram retirados da base de dados interna daquela sociedade – sendo este conjunto de documentos, ligados a quase quatro décadas de actividade da empresa, conhecido como "Papéis do Panamá".

 

O CIJI, recorde-se, deu a conhecer no passado domingo o processo Panama Papers, que refere que foram criadas milhares de empresas em "offshores" e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e o primeiro-ministro islandês – que entretanto se demitiu devido à divulgação destas informações.

 

O envolvimento de Portugal neste escândalo está quantificado, por enquanto, em 34 pessoas, segundo informação divulgada esta semana no "website" do jornal Irish Times.

 

Esta sexta-feira, a TVI e o Expresso desvendaram mais um pouco da investigação, referindo que quando o "senhor Cunha", como era conhecido Jorge Humberto Cunha Ferreira na Mossack Fonseca, teve a primeira reunião com esta firma panamiana, a 20 de Junho de 2013, uma gestora da firma - num documento interno da firma – relatou que "alguns dos clientes do nosso contacto em Portugal são ex-ministros e/ou políticos, portanto irão aparecer como PEP (Pessoas Politicamente Expostas) no processo de DD (Devida Diligência)" – que é o processo de verificação de perfil, de ligações pessoais e profissionais e da origem do dinheiro.

"Ex-ministros e/ou políticos. Pessoas politicamente expostas, que suscitam dúvidas e que, por isso mesmo, teriam a obrigação de provar a origem do dinheiro. E não só. Segundo o relatório confidencial, Jorge Cunha disse que conseguia arranjar a papelada  – os DD reforçados – pedidos pela Mossack Fonseca", conta a TVI no seu website.

 

Numa terceira reunião com a Mossack, Jorge Cunha disse ter um cliente que era Presidente. "Ele também queria discutir alguns negócios novos. Ele tem um cliente que é Presidente de um país, portanto uma importante PEP (Pessoa Politicamente Exposta), que deseja incorporar 10 a 15 empresas panamianas com contas bancárias no Panamá", conta do relatório interno da firma.

 

Diz a TVI que no período de um ano, entre 2013 e 2014, a Mossack Fonseca arranjou 12 empresas de fachada ao português.


A TVI e o Expresso deslocaram-se ao Luxemburgo e reuniram-se com Jorge Cunha. "Falou de Angola, do Cazaquistão, do Chile. E deu o dito por não dito. Negou ter políticos portugueses como clientes. É uma versão dos factos", explica a estação de Queluz.


"A segunda reunião com o gestor de fortunas teve lugar dois dias depois no bar de um hotel (…). Jorge Cunha deu-nos a lista das empresas offshore criadas para clientes seus com o apoio da Mossack Fonseca. A informação está correta. O problema é o resto: as circunstâncias em que foram criadas. E das duas uma: alguém perdeu a memória ou está a mentir…", acrescenta. 

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