Agricultura e Pescas Governo assegura que vai evitar cortes na PAC mas os agricultores estão preocupados

Governo assegura que vai evitar cortes na PAC mas os agricultores estão preocupados

O Governo disse hoje ter "a missão" de evitar cortes na Política Agrícola Comum (PAC) e na Política de Coesão da União Europeia, pretendendo manter o "montante que está em jogo", mas os agricultores estão preocupados com possíveis cortes.
Governo assegura que vai evitar cortes na PAC mas os agricultores estão preocupados
Rui Miguel Pedrosa
Lusa 20 de fevereiro de 2018 às 22:44

"É isso que vamos fazer e é essa a nossa missão, que não haja cortes quer na Política de Coesão quer na PAC. São políticas muito importantes para o nosso país, que significam um grande investimento em Portugal e, portanto, iremos manter de todas as formas possíveis o montante que está em jogo", disse a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.

 

Em declarações aos jornalistas após uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, em Lisboa, a responsável notou que "o Governo acha que essas duas políticas são fundamentais, são políticas estruturantes e estruturais".

 

"São políticas que têm uma implicação muito importante, não só em termos da convergência, como destes novos desafios que se apresentam, [já que] quando falamos de segurança, também temos de falar de segurança alimentar e energética e estes aspectos, que são novos desafios" podem ser financiados em parte por estes programas, acrescentou Ana Paula Zacarias.

 

Em causa está a verba reservada para estas políticas no próximo orçamento da União Europeia, documento que estará em discussão na reunião informal do Conselho Europeu de sexta-feira, em Bruxelas.

 

Também falando aos jornalistas no final da reunião de hoje, o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, destacou que o que preocupa esta estrutura é que "a PAC tem 37% do actual financiamento comunitário e há uma grande pressão para a sua diminuição".

 

"Esta não é uma política exclusiva para o agricultor, é uma política que se destina a todos os cidadãos porque têm o alimento a um preço mais reduzido fruto do dinheiro que é pago pela PAC", observou o responsável.

 

Luís Mira alertou que "um corte na PAC leva, obrigatoriamente, a um aumento do preço dos produtos agrícolas aos consumidores, portanto a PAC beneficia todos os consumidores e quando vão ao supermercado".

 

O representante afirmou também que transmitiu a António Costa, na reunião entre o executivo e os parceiros sociais, que "qualquer que seja o cenário - de manutenção ou de diminuição da verba - a agricultura portuguesa tem de convergir com a agricultura europeia". "Na última reforma, convergimos 8%, portanto, a nossa média subiu 8% e agora temos mais uma oportunidade para convergir um pouco mais", adiantou.




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