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Governo diz que dados dos salários foram os que o FMI pediu

O FMI concluiu que Portugal deveria ir mais longe nas reduções salariais com base em dados fornecidos pelo Governo que são apenas parciais. O Executivo diz que a análise é da responsabilidade “dos autores” e que os dados fornecidos correspondem aos solicitados pelo FMI.

Reuters
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O Negócios noticiou esta quarta-feira que o FMI publicou gráficos para retratar a evolução dos salários em Portugal e defender a importância de mais cortes no sector privado que partem de uma amostra deturpada. Da base de dados usada foram eliminadas milhares de observações que davam conta de um aumento significativo do número de reduções salariais em Portugal no ano passado. Os resultados deste procedimento facilitam a argumentação a favor de mais flexibilidade laboral. 

 

O Governo já reagiu, afirmando que os dados fornecidos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) “corresponderam exactamente ao que foi solicitado por esta entidade”, de acordo com um comunicado emitido pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

 

“Os dados que foram pedidos são apenas um subgrupo da informação completa, como era do conhecimento do FMI. São dados parciais”, afirma o Executivo. Já ao Negócios, o Governo tinha afirmado que os dados não estavam completos.

 

O Governo rejeita que tinham sido escamoteados quaisquer dados e adianta que os números em questão foram “utilizados em apresentações públicas ao longo de 2012 dentro do contexto em que se inserem.”

 

O Governo não explica, em nenhum momento do comunicado, a supressão de quase um quarto dos dados da amostra que ele próprio refere no ficheiro que enviou ao FMI. Em causa está o facto de na amostra enviada ao FMI indicar a existência de 18.600 empregados por conta de outrem em cada ano. Contudo, o gráfico de 2009 tem apenas 16.200 observações, deixando 2.300 dados de fora, ou seja, 13% da amostra. Em 2012, o corte é bem maior: escondidas ficaram mais de 4.000 observações, quase um quarto da amostra. 

 

O Executivo adianta, no mesmo comunicado, que estes dados “são utilizados por instituições como o Banco de Portugal, o INE, e pelas instituições da troika, para fazerem análises sobre o funcionamento e desenvolvimentos do mercado de trabalho.”

 

E considera que “as análises e conclusões que são feitas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.”

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