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Governo mantém Centeno em jogo para liderança do Eurogrupo

A substituição do holandês Dijsselbloem ainda vai demorar alguns meses e Merkel só vai a votos no final de Setembro, pelo que o Executivo mantém a porta aberta à saída do ministro das Finanças, noticia o Público.

Bruno Simão/Negócios
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 10 de Abril de 2017 às 09:25
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António Costa já disse que o ministro das Finanças Mário Centeno "seria um excelente presidente do Eurogrupo", mas que esse cenário não está nas "prioridades" do Governo português. Mas poderá vir a estar nos próximos meses?

 

Segundo escreve o jornal Público esta segunda-feira, 10 de Abril, o Executivo socialista ainda não fechou a porta a essa possibilidade, que depende de alguns factores externos. Desde logo, o momento da escolha. É que o actual presidente, Jeroem Dijsselbloem, foi derrotado nas eleições holandesas, mas a formação de um novo Governo pode demorar alguns meses e adiar a saída do Eurogrupo para o Outono.

 

Outras eleições, neste caso as alemãs, também podem condicionar esse processo. A disputa eleitoral em que Angela Merkel procura a reeleição no cargo está agendada apenas para 24 de Setembro, e só depois dessa votação é que deverá acelerar o debate previsto sobre a reforma da Zona Euro, sustenta o mesmo jornal.

 

Na segunda metade do ano, já com Portugal previsivelmente liberto do procedimento por défices excessivos, Mário Centeno poderá mesmo entrar na corrida pela liderança do Eurogrupo. E um dos maiores concorrentes ao cargo, o espanhol Luis de Guindos, começa agora a ser apontado à sucessão de Vítor Constâncio na vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE).

 

No sábado, 8 de Abril, a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, considerou que o facto de Centeno ter sido sondado para este cargo é a "demonstração" de que o partido e o país estão "no caminho certo". "Gostava muito de ver Mário Centeno como presidente do Eurogrupo porque sei que ajudaria também a Europa a mudar naquilo que tem sido a receita da austeridade imposta aos Estados-membros e em particular aos do Sul da Europa", frisou a dirigente socialista.

 

Outro dos potenciais concorrentes, o ministro italiano Pier Carlo Padoan, pode ser prejudicado por haver já três compatriotas a ocupar cargos de relevo na arquitectura institucional da União Europeia, assinala o Público, referindo-se a Mário Draghi (BCE), Federica Mogherini, que dirige as pastas da política externa e segurança a nível europeu, e ainda o líder do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

 

Na última reunião do Eurogrupo, Portugal esteve sozinho na confrontação a Dijsselbloem, tendo o secretário de Estado das Finanças de Portugal confirmado que nenhum outro responsável político fez qualquer comentário sobre este caso. À entrada para a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, Ricardo Mourinho Félix pediu ao holandês que apresentasse um pedido de desculpas na reunião, mas Dijsselbloem reagiu prontamente, acusando Portugal de ter tido uma postura "chocante" neste processo.

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